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Por Martha Rojas | 20/03/2022

Enrique Flores Magón compartilhou com seus irmãos a oposição ao regime de Porfirio Díaz, a partir da trincheira dos jornais Regeneración e El Hijo del Ahuizote lançou críticas ferozes contra o regime; suas leituras sobre a filosofia anarco-comunista de Piotr Kroptkin e Errico Malatesta o levaram, junto com seu irmão Ricardo, a fundar o Partido Liberal Mexicano.

A história conta que o caçula dos irmãos Flores Magón, Enrique, nunca perdoou seu irmão Jesús, o mais velho, por ter se distanciado do anarquismo, a “mornidão” do irmão o perturbou a tal ponto que ele se queixou quando o nome de Jesús foi saudado como um dos precursores da Revolução.

Sua infância foi passada junto às comunidades indígenas da Serra Mazateca, onde seu pai tinha certa liderança e era conhecido como “tata”. Ali seu pai incutiu neles parte da sabedoria indígena local, assim como uma formação comunista e libertária que posteriormente, já adultos, os irmãos Flores Magón iriam amalgamar com o anarquismo.

Além da ideologia, Teodoro Flores transmitiu aos filhos seu ressentimento contra Porfirio Díaz, que não o compensou por sua participação na Batalha de 2 de abril de 1867 contra os franceses. Em 1881, a família Flores Magón mudou-se para a Cidade do México.

Junto com seus irmãos Jesús e Ricardo, Enrique começou a participar dos protestos contra a terceira eleição de Porfirio Díaz ao mesmo tempo em que exercia o jornalismo no periódico El Hijo del Ahuizote, seu trabalho como jornalista lhe rendeu uma detenção na prisão de Santiago de Tlatelolco, mesmo assim, quando saiu, voltou ao seu trabalho, mantendo seu posicionamento de jornalista crítico.

Ao sair da prisão em janeiro de 1903 os irmãos voltam a publicar o jornal El Hijo de El Ahuizote e em 5 de fevereiro, na varanda dos escritórios do jornal, colocaram uma bandeira negra e uma faixa com a legenda “A Constituição morreu…”, ambas feitas por Enrique Flores Magón. Em 2 de abril, ele participou junto a um grupo de liberais na contestação a uma passeata de apoio a Porfirio Díaz, esta acabou se transformando em um protesto conta Porfirio, chegando a ter inclusive gritos de morte ao ditador.

Ele morou em várias cidades dos Estados Unidos e Canadá, escondendo sua identidade e mudando constantemente de endereço, muitas vezes perdendo o contato com o irmão. No ano de 1906, em Saint Louis, Missouri, ele assinou como tesoureiro o Programa do Partido Liberal Mexicano.

A crítica econômica e social dos irmãos Enrique e Ricardo Flores Magón não teve comparação com a feita pelos revolucionários da época, que sempre buscavam medidas mais conciliatórias. Enquanto Jesús veio colaborar no governo de Francisco I. Madero, Ricardo e Enrique mantiveram suas críticas ao governo e ao próprio sistema.

Durante seu exílio em 1904, Ricardo e Enrique promoveram a formação do Partido Liberal Mexicano (PLM), que seria uma plataforma para a implementação da revolução social por meio de greves e levantes armados. Graças a isso, ocorreram as greves de Cananea e Río Blanco, que, embora fortemente reprimidas pelo regime, acabaram por desencadear a Revolução Mexicana de 1910.

Graças à amizade com Camilo Arriaga, Enrique e seu irmão tiveram acesso a livros de autores anarquistas e socialistas, pensamentos que sintetizavam junto com as ideias vindas dos povos originários do México. Uma ideologia que ele seguiu até o fim de seus dias.

Fonte: https://regeneracion.mx/enrique-flores-magon-el-anarquista-radical-precursor-de-la-revolucion/

Tradução > Mauricio knup

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Fonte: Noticiasanarquistas.noblogs.org