Dezembro 25, 2020
Do Agencia De Noticias Anarquistas
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Mollie Steimer, uma destacada anarquista e defensora dos direitos dos presos políticos, foi coacusada em um dos julgamentos antirradicais mais divulgados da história estadunidense.

Nascida em 21 de novembro de 1897 em Dunaevtsy, Rússia, Steimer chegou à cidade de Nova York aos quinze anos, junto com seu pai, sua mãe Fannie Steimer e cinco irmãos e irmãs. Para ajudar a manter sua família, trabalhou em uma fábrica de roupa, onde esteve exposta pela primeira vez ao radicalismo. Em 1917, se converteu em anarquista e se uniu a um grupo de radicais judeus que se chamava Frayhayt [Liberdade]. O grupo apoiou a Revolução Russa e, além de publicar uma revista yiddish, distribuiu em segredo folhetos e outros materiais de propaganda que estavam proibidos pela legislação em tempos de guerra. Entre estes materiais havia dois folhetos, um em inglês e outro em yiddish, que se opunham à intervenção estadunidense na revolução russa e criticavam energicamente o governo estadunidense.

Os dois folhetos logo puseram a Frayhayt em problemas com as autoridades governamentais. Um dos membros do grupo foi detido por distribuir folhetos. Depois de que concordou em cooperar com a inteligência militar, outros seis membros, incluído Steimer, foram presos e acusados de conspirar para violar a Lei de Sedição.

O julgamento posterior se converteu em uma causa célebre, notável como o primeiro grande processo sob a Lei de Sedição e pela flagrante violação dos direitos dos acusados. Steimer e seus coacusados foram representados por Harry Weinberger, um conhecido defensor dos objetores de consciência, pacifistas e radicais. O julgamento de duas semanas começou em 10 de outubro de 1918. Weinberger argumentou que, dado que as ações dos acusados não interferiram diretamente com o esforço de guerra, não eram puníveis segundo as disposições da Lei de Sedição. Apesar de sua defesa, todos menos um dos acusados foram declarados culpados e quatro receberam sentenças importantes. Jacob Abrams, Hyman Lachowsky e Samuel Lipman foram condenados cada um a vinte anos de prisão e multados com mil dólares, enquanto que Steimer recebeu quinze anos e uma multa de cinco mil dólares. Os quatro apelaram seu caso ante a Corte Suprema.

Liberada sob fiança, Steimer continuou com suas atividades radicais. Se tornou amiga da anarquista Emma Goldman, que acabava de sair do cárcere. Goldman admirou a atitude intransigente de Steimer para com os ideais anarquistas e a chamou “uma espécie de Alexander Berkman com saias”. As contínuas atividades radicais de Steimer resultaram em ao menos oito prisões enquanto seu caso estava em apelação, e finalmente a levaram à prisão em Blackwell’s Island no East River no final de 1919. Enquanto esteve ali, a Corte Suprema confirmou sua condenação e as de seus colegas. Steimer foi transladada a uma prisão em Jefferson City, Missouri, onde a puseram para trabalhar costurando roupas.

Enquanto isso, Harry Weinberger continuou seus esforços para liberar os quatro anarquistas, desta vez com a esperança de obter um indulto, um decreto de anistia ou a deportação à Rússia. Pode obter uma onda de apoio para o grupo, não só entre os radicais judeus, mas também entre vários advogados e intelectuais destacados que estavam convencidos de que não tinham recebido um julgamento justo. Apesar desse apoio, Steimer se negou a assinar uma petição de anistia ou solicitar a deportação à Rússia.“Não quero nenhum perdão”, escreveu a Weinberger. “A palavra ‘perdão’ me perfura os ouvidos e afeta meu sentido de direito, que já é mau”. Se opôs à deportação sobre a base de sua crença de que “cada pessoa viverá onde escolher” e que “nenhuma pessoa tem direito de enviar-me fora deste ou de qualquer país!” Apesar destas objeções, Weinberger conseguiu a liberação do grupo. Em 1921, aos quatro anarquistas foi permitido serem deportados à Rússia soviética por conta própria e receberam um perdão total com a condição de que nunca regressassem aos Estados Unidos.

Depois de chegar à Rússia, Steimer se sentiu decepcionada ao descobrir que os anarquistas eram pouco mais bem vindos que nos Estados Unidos. Goldman e Berkman, que haviam sido deportados uns meses antes que ela, já haviam abandonado o país desiludidos. O novo regime comunista não tolerava nenhuma oposição à política estatal e via os anarquistas como uma ameaça a sua autoridade. Prometendo “defender meu ideal, o comunismo anarquista, em qualquer país no qual esteja”, Steimer começou a difundir propaganda por causas anarquistas e em nome dos presos políticos soviéticos.

Pouco depois de sua chegada a Rússia, Steimer conheceu e se enamorou de sua companheira anarquista Senya Fleshin, uma judia nascida na Rússia que havia imigrado aos Estados Unidos e regressado depois da Revolução. Ainda que as duas nunca se casaram, se converteram em devotas companheiras. Assim como Steimer, Fleshin estava desiludida com o regime soviético e as duas uniram forças em seu trabalho para ajudar os presos políticos. Em 1922, Steimer e Fleshin foram presas pela polícia secreta soviética, acusadas de ter conexões anarquistas na Europa e Estados Unidos. Foram condenadas a dois anos de exílio na Sibéria, mas foram liberadas quando realizaram uma greve de fome. Depois de serem presas pela segunda vez e realizar outra greve de fome, as duas foram expulsas da União Soviética e partiram para a Alemanha em 1923.

Durante os seguintes quinze anos, Steimer e Fleshin se transladaram entre Berlim e Paris, ajudando a presos políticos e exilados anarquistas. Mantiveram contatos com inumeráveis prisioneiros — a quem enviaram pacotes de atenção — e com radicais em vários países, muitos dos quais receberam como convidados. O casal também participou nos principais debates do dia sobre política radical, incluída a controvérsia em torno a Peter Arshinov e sua Plataforma Organizacional. Arshinov propôs a criação de um comitê executivo central para guiar o movimento anarquista, um movimento que Steimer e Fleshin sentiram conduziria ao autoritarismo e uma subversão dos princípios anarquistas.

No começo da Segunda Guerra Mundial, Steimer e Fleshin viviam em Paris. Com a invasão da França pelos alemães, enfrentaram o perigo tanto como radicais como judias. Em 1940, Steimer foi presa e levada a um campo de internamento, enquanto que Fleshin fugiu ao setor desocupado. Capaz de negociar sua liberação, Steimer se reuniu com Fleshin em Marsella e as duas fugiram para a Cidade do México, onde abriram um estúdio fotográfico e se converteram em parte de um crescente grupo de exilados políticos. Em 1963 se retiraram ao povoado de Cuernavaca. Steimer passou seus últimos anos mantendo correspondência com seus companheiros radicais e recebendo muitos visitantes que a admiravam como uma veterana do movimento anarquista internacional. Morreu em 23 de julho de 1980, aos 82 anos.

Fonte: https://circuloacrata.blogspot.com/2020/11/mollie-steimer-anarquista.html

Tradução > Sol de Abril

agência de notícias anarquistas-ana

Gotas ao chão
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Solidão

Silvia Avila




Fonte: Noticiasanarquistas.noblogs.org