Julho 10, 2021
Do Reporter Popular
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* Juliana Leal

Alice Martins é reconhecida como cacica Guarani, desde 2017. Uma mulher de luta, engajada em movimentos sociais desde os 13 anos de idade. Ela conta que para ser cacica precisa do reconhecimento dos seus parceiros de luta. Com 39 anos, Alice é uma das três únicas mulheres cacicas no estado do Rio Grande do Sul.

“Precisamos olhar sempre para a questão do gênero. Ser mulher incomoda”, desabafa. Alice luta contra o apagamento dos povos indígenas no contexto urbano. “Quem quiser participar junto, é só chegar e somar”, convida a cacica.

Alice é uma das lideranças do Centro de Referência Indígena Afro (CRIA), um espaço que acolhe a comunidade e discute políticas de ações afirmativas, inclusive para quem está dentro das aldeias. O CRIA atende cerca de 800 famílias gaúchas. A casa localizada na Cidade baixa é um espaço de passagem para as indígenas artesãs, que vêm de outras cidades vender seus trabalhos em Porto Alegre.

Alice salienta a importância da união dos povos africanos e indígenas para enfrentar o estado e a política. “Não conseguiremos avançar, sem que haja união”, reitera.

A Rede Indígena de Porto Alegre foi criada para subsidiar as famílias com alimentos, materiais de limpeza e higiene, fraldas e móveis. Quem quiser contribuir, pode levar as doações no CRIA, na Travessa Comendador Batista, ou pelas redes sociais.

“Não fomos nós que saímos dos nossos espaços, foi a cidade que adentrou no nosso território. Estamos fazendo a retomada de resistência de um espaço que sempre foi nosso. É uma discussão de pertencimento étnico”, destaca.

Juliana Leal é jornalista, produtora cultural e ecofeminista (DRT-DF 10.947/05)




Fonte: Reporterpopular.com.br