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Enquanto esse texto era escrito, o Brasil alcançava a marca de aproximadamente 37 mil mortos pela COVID-19. Basta olhar brevemente ao redor e pode-se ver de onde vêm maior parte dessas vidas diariamente descartadas sob um seco “E daí?’’ daqueles que ocupam o poder no país.

As recomendações da OMS para se lidar com um vírus, até então desconhecido, eram, sobretudo, a de higienização pessoal e isolamento social. Sempre lavar as mãos, paralisar, temporariamente, comércios, diminuir o fluxo de pessoas nas ruas, e, o quanto fosse possível, estar em casa. Ironicamente, dados de 2018 já apontavam que, uma parcela referente a 35 milhões de brasileiros não possuíam água potável em sua residência. E, como cumprir a recomendação de estar em casa sob risco de uma demissão? Assim, muitos trabalhadores brasileiros continuaram expostos ao vírus. Diversos desses trabalhadores, inclusive, são integrantes do grupo de risco.

Lançando-se um olhar acerca de tal situação sobre o estado de Goiás, na farmacêutica Brainfarma (Anápolis) soma-se um total de 20 casos confirmados de COVID-19, além do afastamento de 360 outros trabalhadores com suspeita de contaminação. Funcionários dessa indústria denunciam, também, o descaso da mesma. Alega-se situações onde trabalhadores contaminados continuaram seguindo a pesada jornada de trabalho, ocultamento de casos pela empresa, ou falta de higienização dos ambientes constantemente aglomerados.

Em Rio Verde, cerca de 300 funcionários da BRF foram contaminados pelo vírus.

Em Goiânia, diversos trabalhadores terceirizados da Universidade Federal de Goiás continuam trabalhando – dentre esses há, inclusive, integrantes do grupo de risco. – No início da pandemia houve, pela UFG e pela Guardiã (terceirizada responsável pela segurança nos campis) o corte de vários Vale-Alimentação de trabalhadores que se afastaram de seus cargos. Estão ocorrendo, também, demissões e avisos prévios cotidianamente na instituição.

Esses são apenas alguns dos recortes do tratamento dado pelos patrões a milhares de trabalhadores nesse período. Simultaneamente, diversos empresários clamam pela reabertura do comércio, ao ponto de ajoelhar seus funcionários na porta das lojas (em Campina Grande, no mês de Abril, sob coação de patrões organizados pela Câmara de Dirigentes Lojistas, vários trabalhadores foram obrigados a se ajoelhar e orar pela reabertura do setor) . Jair Bolsonaro censura os números de infectados pelo vírus no portal do Ministério da Saúde. Prega-se, diariamente, contra a morte dos CNPJ’s, já que os CPF’s sacrificados todos os dias de nada valem aos olhos desse sistema que se banha em nosso sangue.

Não nos entregaremos para sermos sacrificados em nome de seu CNPJ! Nossas vidas não valem menos!

Patrões, se lhes fere ver a “morte’’ de sua produção, vocês que se sacrifiquem por ela, não nós!




Fonte: Federacaoautonoma.wordpress.com