Março 3, 2021
Do Federacao Anarquista Gaucha
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Desde o início da pandemia agravou-se o quadro de precarização da saúde que percebemos hoje de modo mais flagrante com o descaso do governo Bolsonaro em relação à saúde do povo brasileiro. Um país com mais de 200 milhões de habitantes depara-se com o surgimento de um vírus extremo e de rápido contágio, junto à política sanitária inexistente para prevenção e conscientização da população, e mais um ciclo desastroso de instabilidade dentro do Ministério da Saúde, onde houve a troca e saída de ministros por pelo menos 3 vezes, funcionando em ritmo de anomia e caos. Presenciamos inúmeras situações de corrupção sistêmica frente à pandemia envolvendo cobrança de propina na construção de hospitais de campanha, ou na compra de respiradores para os leitos de UTI´s do SUS, como o caso de Wilson Witzel, no Rio de Janeiro.

O governo negacionista ignorou as milhões de mortes e tratou a vida de cada pessoa morta com extremo desamparo ao negar a existência do vírus e negligenciar o setor da saúde durante a crise sanitária. E é essa política que contribuiu – e é a principal culpada – para termos a cada 4 pacientes entubados, 1 morto, ou seja, 25% desses pacientes. Atualmente os casos mundiais já ultrapassam os 2.500.000 (milhões) no mundo, no Brasil ultrapassam os 250.000 (mil) e no Rio Grande do Sul estamos chegando às 2.500 (mil) mortes. O cenário catastrófico pelo qual estamos passando desde 2020 se intensifica, atravessamos agora o pior momento desde o início da pandemia: acompanhando dia após dia o aumento do colapso no SUS, cujo caso de Manaus foi tristemente emblemático, as UTI’s cada vez mais lotadas, ultrapassando 80% em mais da metade dos estados do Brasil – em Porto Alegre superou os 100%, significando que pacientes eram atendidos no corredor do hospital. A fase de vacinações que se iniciou no início desse ano anda a passos lentos com a vacinas da AstraZeneca e CoronaVac. É a necropolítica programada do governo que segue vigente, não colocando como prioridade salvaguardar as vidas, sendo que o Brasil é um dos países que tem mais expertise em vacinações em massa no mundo. Ao contrário disso, a prioridade é a manutenção da riqueza de poucos, como o agronegócio, os bancos e as benesses concedidas às grandes empresas. O estado do Rio Grande do Sul segue colocando os lucros acima das vidas ao pressionar pela volta às aula da educação infantil e dos primeiros e segundos anos do ensino fundamental, mesmo com decisão judicial barrando o retorno. Sendo que há escolas que já não tem o mínimo de estrutura e insumos como papel higiênico e demais materiais para higiene para funcionar.

E não somente isso, mas simultaneamente à crise sanitária, temos o crescimento da pobreza e da miséria, que com o fim do auxílio emergencial agravam-se, pois as taxas de desemprego e os preços dos produtos de abastecimento familiar estão cada vez mais altos. Diante de uma pandemia não temos a mínima garantia de saúde e alimentação para sobrevivência da população, e esse panorama tende a se acentuar se o governo não tomar medidas que minimizem o quadro de morte pelo vírus e pela fome que ataca sempre mais quem está mais à margem, como a população negra, periférica, as mulheres – que muitas vezes são mães que sustentam a casa sozinhas –, a população indígena e quilombola. Vivemos no país do desemprego e da panela vazia.

Precisamos de auxílio emergencial pra o povo não morrer de fome, vacina para todas e todos, fiscalizando para evitar os fura-filas, os beneficiados de sempre querendo obter vantagem sobre a maioria do povo. No mundo, poucos países iniciaram a vacinação, sendo que quase todo continente africano segue sem doses, na velha e opressiva divisão social que o capitalismo engendra e perpetua. Só a quebra de patente das vacinas, estas entendidas como bem social público e universal, assegurará a distribuição igual do imunizante para toda a população mundial sair da crise do coronavírus. Sem possibilidades de emprego e sem comida na mesa é impossível que fiquemos caladas/os. Não podemos aguentar esse descaso com a população, pois só o que nos mantêm erguidas/os diante da crise é nossa solidariedade e nossa revolta coletiva.

DESEMPREGO E PANELA VAZIA É REVOLTA NA PERIFERIA!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG




Fonte: Federacaoanarquistagaucha.wordpress.com