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O matrimonio escravo e o matrimonio livre. O desejo escravo e o desejo livre por Luisa Capetillo[1]


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Alguns deturparam o sentido do amor livre, e o qualificaram como prostituição. Será prostituição apenas para as mulheres, pois o homem sempre teve liberdade sexual e a mulher carrega apenas o epíteto da prostituta; esse, são prostitutas; aqueles que a usam tão bojudos e altivos, são chamados de cavalheiros jovens honestos e corretos.

Curioso cavalheirismo! … a de utilizar essas mulheres e logo depois as insultar e as depreciar: não sei o que vale mais, “aquele que renuncia para pagar ou aquele que paga pelo pecado”.

Como que se entende, imaculados julgadores, que a mulher que sente atração e amor por outro que não seja seu marido é uma prostituta? Ainda que seja uma só vez em sua vida?

O que pensam do homem que tendo três mulheres ainda se deixa cair, de vez em quando ou semanalmente, entre os mártires da vida pública e que não contente, ainda necessita “saborear” PRAZERES ou aberrações antinaturais? Será ele um prostituto, um viciado, um degenerado, ou o que? Vocês diriam isso?

De modo que, uma mulher se casa ou se une a um homem e tem obrigação, ainda que não goste, ao mês ou a semana ou ao ano, de viver com ele; me disseram que devesse avisar ao homem quando se apaixona por outro; O homem avisa à ela quando se apaixona?

Agora se opta pelo divórcio, mas não se liberta da crítica e da injúria, caluniam-na e tratam de anula-la como honrada e boa mulher, convertendo-a em uma prostituta, tanto se ela se divorciar ou se vai com outro que ela goste mais.

A lei matrimonial escraviza a mulher? Pois venha o matrimonio livre, a união dos seres livre, o amor livre.

Porque o matrimonio atual é a venda feminina pela qual ela cede todos seus direitos ao marido.

Ela embora deixa de querê-lo, não se libertar pois o dogma escraviza-a perpetuamente e a lei a obriga a cumpri-la; a lei feita pelos homens a cobre de qualificações injuriosas que deixa um rastro sobre ela para que caia sobre seus filhos e familiares e, sentindo o desprezo dos filhos e dos país, se vê impotente de poder usar a liberdade que à custou tão caro.

Quantas tem sustentado essa luta por um marido infiel que as abandonaram!

Mas não querem aceitar que o amor não pode ser escravo, e para deforma-lo aprisionaram a vontade feminina, e a ataram ao poste dos dogmas religiosos, e não viram que o posto estava desgastado e que ao cair a mulher se tornaria livre.

Desorientada, a mulher depois de tantos séculos de opressão, vem buscado e vem encontrando uma grande porta de escape na liberdade do homem e aí tem o respaldo na liberdade que durante muito tempo as escravizou e se falavam; o homem é livre, a mulher tem igual direito e habilidades para ser também.

A atmosfera está cheia de lamentos e gemidos de milhões de mulheres que sofreram horríveis mutações por um conceito equivocado de moral.

Milhares morreram tísicas[2], histéricas, deformadas por essa abstenção que foram condenadas. A prostituição, com seus vícios e aberrações, não forneceu um número de tísicas, histéricas, nervosas e de outras disfunções, como forneceu o que chamaram de “virtude”, “moral” e “castidade”, que não são outra coisa que conceitos equivocados da ignorância combinados com o egoísmo e a força.

Por que senhores? O que há na natureza de impuro e desonesto? Se formos supor que o ato sexual é um ato sujo de rebaixamento moral, estão somos todos produto dessa degradação.

Se o ato sexual é indigno, ele é em qualquer forma que se realize. É igual em todos os idiomas como em todos os seres da criação, desde o inseto até ao homem.

De todos os modos, é uma necessidade como prazer e como meio de procriar de tanta urgência como o de comer, dormir e passear. Se alguém se abstém é dono de suas escolhas; assim, ninguém tem o direito de julga-lo ou acusa-lo. É uma necessidade? É para ambos os sexos. Quem o determinou e o legislou? – O Homem, – Pois que ele a siga e a pratique, ele não tem o direito de legislar para a mulher, nem de dize-la o caminha, nem assinalar os limites. A mulher é a única que sabe o que à ela lhe convêm e deve eleger o que lhe agrade. A liberdade da mulher, é a liberdade do gênero humano! Que lei mais justa, que faz com que tudo isso chegue ao fim! Abaixo a civilização escravizadora das mulheres!

Tradução: Rodolpho Jordano Netto

Notas

[1] foi uma anarquista nascida no território dominado pelo estado porto-riquenho, pioneira em seu país do feminismo e sindicalismo. Lutou pelos trabalhadores e os direitos das mulheres. Se distinguiu como intelectualescritorajornalista e líder operária. Fez resistência aos convencionalismos sociais e chamou a atenção a suas posições ideológicas de múltiplas maneiras. (Nota do Tradutor)

[2] Tuberculosa; mulher acometida por tuberculose (Nota do Tradutor)




Fonte: Ielibertarios.wordpress.com
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