Fevereiro 18, 2021
Do Anarkio
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A relevância do anarquismo, é hoje, tão válida como o foi em todos esses milênios, como forma de contestação social a regimes tiranos, hierárquicos, exploradores e opressores.

A aspiração maior do anarquismo é libertação de todas espécies de forma a viverem com dignidade, sem exploração e nem opressão. Ou na adaptação da máxima da primeira Associação Internacional dos Trabalhadores, a nossa emancipação é nossa própria obra e de ninguém mais.

Como isso se realiza de fato?

Primeiro, existe uma confusão, intencional ou não, em ver no anarquismo uma força rebelde sem organização, espontânea, incontrolável, ao sabor das paixões e totalmente arredio a qualquer forma de controle. Isso é uma concepção totalmente equivocada e construída de forma superficial, sem a compreensão do que seja o anarquismo e quais são seu métodos de vivência. Para aquelas que foram criadas em moldes controladores, submissos, realmente é uma impressão poderosa ver pessoas e grupos anarquistas, seu questionamento e seu ceticismo contra todos os governos, partidos, religiões, Estados ou qualquer estrutura de controle, poder e exploração existentes.

O fato é que o anarquismo é uma fonte de compromisso profundo com a liberdade e disso gera uma grande responsabilidade de todas as adeptas envolvidas, em suma, grandes liberdades exigem grandes responsabilidades.

Quando dizemos anarquismo, dizemos simplesmente sem governo, no sentido que esse governo seja um controle hierarquizado de exploração e opressão. Não se pode dizer que o anarquismo seja uma ideologia, porque não está fechada em si em um corpo teórico acabado e determinante, ou seja, não há uma “receita de bolo” que muitas comodamente gostariam de ter para aplicar. Como uma proposta dinâmica sempre se mantém como referência e é muito mais uma metodologia aplicada, logo, uma prática existente sem o qual qualquer teorização é vazia e sem sentido.

O anarquismo é muito mais uma prática da qual se pode descrever como um registro histórico do que uma teoria de um vir a ser, não existirá anarquismo amanhã se não houver sua prática hoje. Escrevo isso pela necessidade de marcar que muitas podem escrever, teorizar e até especular sobre o anarquismo, mas sem sua prática direta, muito pouco acrescenta para sua construção.

Isso nos leva a dizer que o anarquismo é sem governos, mas organizado em moldes libertários.

Devemos glossar o termo libertário: é muito usado com associação ao anarquismo, mas não significa que todo movimento libertário o seja.

Qualquer ação que procure se libertar de uma situação de controle pode ser considerada libertária, mas não anarquista, quando seus moldes não seja de emancipação total de todos os seres e isso é um diferencial que poderíamos usar com parâmetro para captar os contextos das ações em que se usam os termos anarquistas e anarquismo.

O caráter organizacional, entendendo que como seres coletivos, necessitamos, mesmo que não queiramos aceitar ou que neguemos, da outra e outras, nem que seja para justamente negá-los. Não temos ainda condições de determinar com exatidão onde termina uma pessoa e começa o seu coletivo e vice versa. E ao se relacionar com outras, buscando resolver questões importantes da vida, se compõe acordos que visam um equilíbrio para satisfação de cada um e do todo, de forma a se manter e se desenvolver de forma organizada. No anarquismo isso se dá através da autogestão.

Autogestão é a participação de todas de forma direta do processo decisório, de forma a compor grupos, comissões, coordenações executivas sem lideres, sem chefias para solução das questões apresentadas. Isso deriva de um aprendizado da politica direta, sem intermediários, sem representantes partidários ou estrutura vertical de comando politico executivo e legislativo. Perceba que isso significa uma reestruturação coletiva e individual de relação não mais em moldes de controle e sim de emancipação, onde não se explora ou oprime quem quer que seja, em um grau de respeito mútuo importante.

Por isso não há uma transição, não há governos provisórios, não há vanguardas, não há minorias ativas no anarquismo porque ao desenvolvê-lo cada pessoa tem e desenvolve a condições de liberdade, isso é, de ter capacidade de escolha entre iguais e que ao se unirem, unem suas liberdades e as ampliam ao infinito tendo sempre que isso não pode ser feito com opressão e exploração.

Com a prática, o entendimento disso se torna algo real e visível e por sê-lo é justamente combatido e o que mais causa medo em quem foi condicionado a mandar ou obedecer, advindo reações de violência ignorante para a manutenção da opressão e exploração reinante.

Para o anarquismo então, a propaganda mais poderosa e razão de ser é prática e existe uma campo amplo de possibilidades, desde que se tenha em mente que isso sem opressão e sem exploração. Tende viver um dia assim, reflita e tenha autocritica honesta o suficiente a ponto de identificar o quanto é oprimida, explorada e o quanto também oprime e explora. E vá mais longe, olhe ao seu redor e identifique tais situações, seja com sua família, seja na vizinhança, no bairro, na escola, em fim, avalie seu dia a dia e identifique a exploração e opressão e daí faça a diferença: COMBATA-AS!

Nos vemos nas ruas pela construção e organização do anarquismo através de práticas livres!

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Fonte: Anarkio.net