Fevereiro 7, 2021
Do A Companha
356 visualizações


Olhos e Ouvidos

Imagine aquela reunião da sua organização, coletivo ou movimento social antes da pandemia. O local é um conhecido centro cultural da cidade, onde todo dia tem reuniões de diversos grupos, e muita gente da militância da cidade se encontra por lá.

A galera do teu movimento não é boba, uma ou outra militante assistiu o Dilema das Redes, e teve um que até participou de uma tal de CriptoRave e vez ou outra lê os artigos do Mariscotron. Então tá todo mundo ligad@ que tem muita vigilância cibernética rolando pelas redes. Questão de ordem, antes de começar a reunião, os espertofones são desligados e colocados em uma caixa, que é fechada e levada para outro cômodo longe dali.

Com a tranquilidade de quem está longe do zóião do Estado ou das megatéquis, todo mundo começa a falar sobre a próxima ação direta, dando nomes e explicando tin tin por tin tin cada detalhe.

Mas, e se no ambiente onde rolou a reunião tivesse sido plantado um dispositivo de vigilância, ao qual nós brasileiros conhecemos carinhosamente como grampo? A casa caiu. E agora quem plantou o grampo poderá colher valiosas informações sobre a tua organização, e provavelmente de muitas outras da cidade.

Nos últimos anos, muita atenção tem sido dada a vigilância cibernética, de massa ou não. Mas não podemos nos esquecer de técnicas mais antigas, como a engenharia social, explicada em linhas gerais em nossa última publicação, ou da implantação destes dispositivos de vigilância. Tais técnicas foram aplicadas em todas as nossas ditaduras oficiais, e também no período dito democrático (o Estado nunca dorme). Quem não se lembra de algum escândalo com o termo arapongagem, envolvendo algum politico famoso nos últimos anos? Mesmo o recente documentário “Privacidade Hackeada”, ao qual fizemos uma critica aqui no blog, tem uma cena mostrando quando a casa caiu para o chefão Alexander Nix, sendo filmado secretamente em um restaurante falando sobre os podres da Cambridge Analytica.

Os grampos geralmente são plantados pelas polícias ou agências de vigilância. Podem ser colocados em veículos, construções, ou espaços públicos e ficar dias, meses ou anos sem serem percebidos. Possuem diferentes combinações de capacidades de sensoriamento: microfones, câmeras, geolocalização. Também possuem diferentes formas, tamanhos e aparência em geral.

Banner do site Olhos e Ouvidos

Com objetivo de alertar e catalogar estes dispositivos e relatar estes casos de vigilância, surgiu o site “Ears and eyes” (orelhas e olhos). Reúne cerca de 50 relatos de grampos plantados em espaços de pessoas e grupos que realizam atividades subversivas (majoritariamente na Itália). Além disso, o site também faz um apanhado sobre a indústria de vigilância responsável pela fabricação e venda destes equipamentos para os Estados.

Conhecimento é poder e precisamos estar atentas a esta forma de vigilância debaixo de nosso nariz. A boa notícia é que a galera do Ears and Eyes quer ampliar os relatos para além da Europa. Se você conhece algum caso, mande por e-mail para: desoreillesetdesyeux [a na bola] riseup.net. A chave pública, para enviar e-mails criptografados, pode ser obtida na página de contato do site. Pode ser em qualquer idioma que o pessoal está disposto a traduzir. Ou escreva para nós (org-mariscotron[a-na-bola]lists.riseup.net).

Compartilhe o endereço do site com sua turma e vamos manter os nossos olhos e  orelhas em alerta, os do Estado e do Capital a gente arranca.




Fonte: Mariscotron.libertar.org