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Desde 1886, o Primeiro de Maio relembra mundialmente às trabalhadoras e aos trabalhadores que, sem luta social, não teremos direito nenhum. Sem nos organizarmos, desde a distribuição de panfletos até mostrar nossa força nas ruas, não temos chance de sair desse lugar de miséria, sofrimento e exploração em prol do lucro dos ricos e dos governantes.

Hoje fica escancarado que para os de cima somos descartáveis, e não existe mais a preocupação de nos garantirem alguma dignidade para produzir o lucro dos patrões. O resultado são formas “flexíveis”, com empregos na informalidade, subempregos, com contratos de trabalho instáveis e a cruel pressão sobre uma massa de desempregados esperando qualquer oportunidade oferecida para então conseguir pagar pelo preço dos alimentos mais básicos.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, a América Latina foi a região no mundo que mais fechou postos de trabalho durante a pandemia, sem contar a redução de horas trabalhadas (junto com a redução dos salários). A pandemia não foi só reveladora ao mostrar a desigualdade no acesso a saúde, segurança e bem-estar, mas também em como em momentos catastróficos as classes dominantes encontram oportunidades para lucrar mesmo que signifique colocar em xeque a vida de setores inteiros da população. O governo Bolsonaro é justamente a ferramenta necessária para as elites nesse período, abraçando o genocídio sem meias palavras e permitindo o saque de tudo que é público pela iniciativa privada nacional entreguista, que quer lucros fáceis, e estrangeira, com seus fantoches como Paulo Guedes.

Os de cima se aproveitaram das condições de calamidade sanitária e de saúde pública para enriquecer setores específicos, em detrimento das condições de vida que chegaram ao limite entre as e os de baixo, sobretudo quando levamos em conta as questões racial e de gênero. Foram as mulheres que mais sofreram com a sobrecarga e a concentração dos cuidados familiares; e as mulheres negras enfrentaram ainda mais o definhamento da saúde mental e física, e a falta de acesso a serviços básicos.

No entanto não veremos a luta de classes ou a superação do capitalismo como objetivo das grandes centrais sindicais neste 1º de Maio, mas apenas mobilizações de caráter festivo em espaços públicos onde as burocracias sindicais negociam com a polícia como esta vai separá-los dos trabalhadores e trabalhadoras.

Além da forma, o conteúdo deste ano trará grandes atos voltados apenas ao calendário eleitoral, sobretudo no intuito de consolidar a frente ampla em torno da chapa Lula/Alckmin. Isto ocorre depois de um grande encontro das cúpulas das centrais sindicais que mais uma vez coloca a linha dos partidos políticos que atuam dentro desse sistema acima de qualquer demanda imediata do povo. Esta mesma linha política que fez de tudo para esfriar os atos contra Bolsonaro afim de mantê-lo destruindo nossos direitos, para quem sabe perder a eleição. Como anarquistas, sempre colocamos que a submissão ao calendário das eleições burguesas enfraquece as lutas populares, e tem como destino apenas a lógica do “mal menor”.

Apesar desta sabotagem das grandes centrais, não se pode dizer que a resistência não esteja acontecendo nas lutas que dizem respeito ao trabalho. Mesmo com todos os ataques que temos sofrido, temos novas experiências surgindo dentro e fora de sindicatos, pois sabemos que somos maioria, nos falta organização para exercer nossa força. Como tem sido nos últimos anos, a tarefa dos anarquistas é resgatar as origens do 1º de Maio e apontar para a importância ação direta dos trabalhadores, a independência de classe e a caminhando para destruição do sistema capitalista.

Em todo o território brasileiro estaremos presentes em atos unificados e manifestações junto às organizações de classe, mas também fora dos centros, onde vivemos organizando saraus, encontros, feiras e atividades sociais junto aos nossos levantando as seguintes bandeiras:

  • Nossa aliança é com o povo para lutar contra o arrocho salarial, o desemprego e o aumento das jornadas de trabalho.
  • A luta contra a fome é urgente, e ainda assim precisamos combater também sua causa que é a exploração imposta pelas classes dominantes.
  • Que sejamos intransigentes contra o desmonte do serviços públicos e finquemos o pé na defesa dos direitos sociais conquistados pela classe trabalhadora.
  • É necessário manter o embate e denunciar ainda mais as consequências da Reforma Trabalhista, da Previdência, além de defender a retirada do Teto de Gastos.

Coordenação Anarquista Brasileira
1º de Maio de 2022




Fonte: Cabanarquista.org