Fevereiro 26, 2021
Do Colectivo Libertario Evora
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Foto da manifestação em Coimbra em solidariedade com Pablo Hasel

Há dias foi preso no Estado Espanhol o rapper Pablo Hasel. A maioria das organizações e colectivos anarquistas e anarco-sindicalistas prestaram-lhe solidariedade, defendendo a liberdade de expressão e de opinião. Muitos anarquistas saíram para a rua em protestos por toda a Península. No entanto, sabemos bem o que nos distancia do rapper. Conhecemos as letras de Hasel, defensoras do estalinismo e duma visão machista da sociedade, que estão nos antípodas da nossa visão de uma sociedade igualitária. Contudo, somos contra toda a violência de estado e contra as leis mordaça que impedem a liberdade de expressão. Por isso, e neste sentido, traduzimos e partilhamos um excerto do comunicado da Cruz Negra Anarquista que sublinha o que nos motiva e solidariza com Pablo Hasel e o que dele nos distancia.

“O rapper Pablo Hasel não nos merece nenhum respeito. Estalinista declarado, misógino empedernido e machista, defende valores que estão nos antípodas do anarquismo. Algumas das suas letras e comentários também expressam o facto da rejeição ser recíproca. A sua conhecida rejeição do anarquismo e do movimento okupa é bem conhecida, enquanto enaltece o capitalismo de estado e o comunismo autoritário.

No entanto, a sua detenção e prisão devido a uma série de denúncias pelas suas letras contra a monarquia, no mesmo dia em que a ex-presidente da comunidade (de Madrid) Cristina Cifuentes (do PP) saiu impune após julgamento por falsificação de títulos universitários, deixou muito claro que o poder judicial em Espanha está coxo, sempre submisso aos poderosos e arrogantes e implacável com os de baixo.

Temos a certeza de que se triunfasse a opção política defendida por Hasel, os anarquistas e todos aqueles que não pensam como ele, estaríamos na Sibéria ou na prisão, se não desaparecessemos, como aconteceu na altura com o nosso companheiro Camilo Berneri (anarquista italiano, morto em Barcelona em Maio de 1937, pelas tropas de choque do Partido Comunista). Contudo, a prisão do rapper estalinista levou ao aparecimento de alguns surtos de revolta em muitas partes da península que devemos, sem hesitação, apoiar. Porque a luta não é a favor do rapper, mas contra o Estado e as forças repressivas que impedem uma sociedade harmoniosa e que favorecem os interesses de uma minoria.

(…) Por isso, embora os motins surjam devido à  prisão de Hasel, nós, anarquistas, acreditamos que este é um momento oportuno para sairmos para as ruas e apoiar os motins, por um lado, contra o terrorismo que o estado exerce a partir do seu monopólio da violência e, por outro, a favor da liberdade tanto do rapper como de todos os presos, incluindo o nosso colega Gabriel Pombo da Silva, os jovens bascos do Alsasu, cruel e impiedosamente condenados e acusados de terrorismo por um discussão de bar, a Amadeu Casellas, a José Angel Martins ou a Lisa Dorfer e a tantos outros sequestrados nas prisões de todo o estado. Por todos eles estamos na rua.

Como disse Malatesta, “a base fundamental do método anarquista é a liberdade e, portanto, lutamos e lutaremos contra tudo que viole a liberdade (liberdade igual para todos), seja qual for o regime dominante: monarquia, república ou outros”.

Por isso acreditamos que é hora de lutar e estimular a revolta social. Já o fizemos quando ela explodiu na Catalunha e faremo-lo agora. Na altura, não defendíamos o nacionalismo estatista catalão, nem agora o estalinismo e o machismo que Hasel representa. Mas estaremos em todas as insurreições, grandes e pequenas, que contribuam para criar um clima favorável à revolução social, à justiça e à igualdade.

Guerra às instituições! Abaixo os muros das prisões!”

Aqui, o comunicado da Cruz Negra Anarquista, na íntegra:

(através de P. M.)




Fonte: Colectivolibertarioevora.wordpress.com