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Em meio às experiências revolucionárias durante a Guerra Civil Espanhola, a CNT criou o Laboratório Confederal de Experiências (Laboratorio Confederal de Experimentaciones, em espanhol), iniciativa para promover a pesquisa científica no seio da classe trabalhadora. A intenção era desenvolver métodos para melhorar as produções agrícolas, com novos tipos de técnicas e fertilizantes, por exemplo, entre outros estudos.

A prática teve como objetivo proporcionar não só a participação dos trabalhadores no terreno da experimentação científica, como também incentivar o nível educacional entre as classes oprimidas, que historicamente foram excluídas do sistema de ensino.

O resgate dessa experiência revolucionária se faz necessário no momento em que parlamentares como Kim Kataguiri e General Peternelli tentam emplacar a PEC 206/2019, que visa cobrar mensalidades nas universidades públicas. O projeto tem apoio de setores das classes dominantes, como os próprios militares, que também pretendem cobrar pelo SUS. Apesar de os defensores da proposta negarem, trata-se de um projeto que caminha para dificultar a presença dos mais pobres nas universidades, e até excluí-los do ensino superior.

A PEC foi retirada de pauta, principalmente depois da repercussão negativa, mas o ataque foi apenas adiado, e mostra a importância de lutar pela presença popular nas universidades, pautando a ciência e a defendendo das garras das classes dominantes.

A cobrança de mensalidade e a segregação das classes populares desses espaços são apenas o início dos projetos que expulsam os saberes tradicionais, a crítica e a construção das pesquisas científicas, e consequentemente o povo da construção de uma sociedade que abrace os seus e as suas futuras gerações. O objetivo é limitar às elites o acesso ao conhecimento, e aprisionar a educação em estantes vazias, invadindo as salas de aula com o silêncio da censura.

Por isso defendemos que o movimento estudantil esteja nas primeiras fileiras da luta contra a precarização do ensino, para que o ensino superior tenha cada vez mais estudantes vindas/os das camadas populares, e que uma vez na universidade, sejam agentes de transformação, e coloquem o conhecimento a serviço das lutas populares. Mais do que resistir aos ataques e lutar por pautas imediatas, também é preciso avançar para a construção de uma outra universidade, que possa contribuir para uma perspectiva de ruptura com o capitalismo!

POR UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA E POPULAR!

Coordenação Anarquista Brasileira
Maio de 2022




Fonte: Cabanarquista.org