Janeiro 5, 2021
Do Reporter Popular
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Nota do Movimento de Organização de Base – RJ

A primeira segunda-feira de 2021 se iniciou com um fato doloroso – mas não novo. Mais uma vítima foi feita nas operações promovidas pela PM do Rio: Marcelo Guimarães, 38 anos, que deixa dois filhos, uma de 19 e outra de 5. De acordo com a família, o morador da Cidade de Deus tinha deixado o filho, de 5 anos, numa escolinha de futebol, na Gardênia Azul, mas tinha esquecido o celular em casa e voltou para buscá-lo, e foi atingido por um tiro no caminho. A polícia ainda se recusou a prestar qualquer assistência, evadindo do local em seguida enquanto moradores tentavam socorrer a vítima.

Diversas pessoas foram até as redes sociais manifestar sua revolta diante do caso. No dia do ocorrido, a hashtag “JustiçaporMarcelo” figurou as primeiras posições nos assuntos mais comentados no Twitter. Veja o vídeo compartilhado por moradores:

A PM, como sempre, dá a desculpa de que estavam em confronto com traficantes, no entanto, moradores relatam que não acontecia troca de tiros no local. É a mesma desculpa que a PM sempre usa para entrar nas favelas derrubando casas e desrespeitando os moradores, com abuso de autoridade e sem levar em conta qualquer tipo de diálogo com a população.

A classe trabalhadora sempre sofreu inúmeros assédios por partes da polícia, que desde a sua fundação nunca defendeu os interesses do povo. Entra governo e sai governo, e a política de segurança pública continua tendo raça, gênero e classe. A política de guerra as drogas implementada que persiste há anos ajuda na manutenção do status quo desta elite burguesa e ao longo dos anos, vimos cada vez mais sendo naturalizadas as mortes que vem acontecendo nas favelas do Rio de Janeiro.

No ano passado, tivemos casos como o do menino João Pedro morto numa operação policial em São Gonçalo, Caio Viera da Silva, de 20 anos, assassinado no Morro dos Macacos, Liliane Rodrigues da Costa, que estava grávida e foi alvejada em Madureira, e das meninas Emilly Victoria, 4 anos, e Rebeca, 7 anos, mortas em Caxias.

Vale lembrar que no ano passado a classe trabalhadora sofreu muito com esses e outros ataques. A pandemia do novo coronavírus afetou drasticamente a classe periférica, principalmente o povo negro, pobre e favelado, demonstrando os efeitos de um sistema de saúde que vem sofrendo há anos com o sucateamento dos governos e a negligência do poder público, em um governo que declaradamente não se importa com a preservação das vidas dos mais pobres. Um cenário onde tivemos que nos somar em ações de solidariedade e nos apoiar para defender o mínimo para uma vida digna.

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 45,3 milhões de brasileiros moram em habitações com precariedade e insegurança, entre a população mais empobrecida, a situação é ainda pior, mais da metade vive com menos de R$436,00 por mês, quase a metade da população, 43,2%.

Graças às mobilizações que foram feitas em resposta à essas mortes, conseguimos pressionar a justiça para ter a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 635), que determina a suspensão de operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro durante a pandemia do novo coronavírus. Entretanto, sabemos que essa decisão não foi totalmente cumprida na prática.

Por isso, temos que continuar nos mobilizando, para pressionar as autoridades e garantir uma vida mais segura e digna para a população que mais sofre com essa política se segurança pública que tem como alvo a própria população.

Rapidamente, familiares e moradores da Cidade de Deus se mobilizaram nesse sentido, convocando uma manifestação hoje, dia 5 de janeiro, às 17h. O ato acontecerá em baixo do viaduto da Linha Amarela, na entrada da Cidade de Deus, mesmo local onde Marcelo foi baleado e morto.




Fonte: Reporterpopular.com.br