Janeiro 30, 2021
Do Passa Palavra
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Por Angry Workers / Lets get rooted

Agricultura

O setor depende fortemente da mão de obra de imigrantes da UE e de subsídios. Esses subsídios estão no centro das negociações comerciais, tanto com a UE (que deseja vincular o Reino Unido aos padrões comuns) quanto com os EUA (que desejam reduzir os subsídios e abrir o setor agrícola do Reino Unido para os excedentes de produção dos EUA). Os subsídios representam 61% do lucro da típica fazenda inglesa, enquanto quase um quinto das fazendas seria incapaz de arcar com os custos de produção sem o pagamento de subsídios. Isso equivale a 16.150 fazendas incapazes de sobreviver, baseado nas 85.000 fazendas que reivindicam pagamentos no padrão da UE na Inglaterra. Se o Estado não vier ajudar, o capital internacional tem que intervir. Por exemplo, o setor de cultivo de batata do Reino Unido, que tem o valor de £1bilhão, foi duramente atingido por climas extremos e pelo coronavirus. O principal comprador é a empresa canadense , que compra cerca de 15% da safra anual total do Reino Unido. Para estabilizar a cadeia de suprimentos, foi forçado a adiantar £25 milhões aos produtores do Reino Unido.

Energia / Energia Nuclear

No outono de 2020, o governo anunciou que deseja construir 16 novos reatores nucleares de pequena escala até 2050. O Reino Unido tem atualmente 15 reatores nucleares operacionais em sete localidades. No auge, em 1997, 26% da energia do país era gerada a partir da energia nuclear, mas desde então caiu para 19%. Atualmente, o Reino Unido não dispõe dos meios financeiros nem do conhecimento técnico para construir seus reatores. A construção hoje em dia depende de empresas da UE (principalmente a francesa EDF), China (principalmente a estatal CGN) e do Japão (Hitachi e Toshiba). Ao lado da Huawei e da rede 5G, o investimento chinês na energia nuclear do Reino Unido é uma das principais questões controversas entre o Reino Unido e os EUA. Como a Hitachi e a Toshiba cancelaram a construção de projetos existentes devido a questões financeiras, a dependência do Reino Unido frente a China e a UE só aumentou. Há duas razões pelas quais o governo opta por pequenos reatores: a) grande parte do trabalho pode ser pré-fabricado em fábricas, ao invés de canteiros de obras, e dentro de 3 a 5 anos, ao invés de 8 anos; b) mais importante, eles custam apenas cerca de um quarto dos reatores de grande escala, o que facilita os investimentos do setor privado. O investimento estrangeiro pode ser necessário, visto que as principais empresas de engenharia sediadas no Reino Unido, como a Rolls Royce, foram duramente atingidas pela crise da Covid — veja a seguir.

Aviação e Indústria Armamentista

Principalmente por causa da queda no setor de aviação, a Rolls Royce declarou um prejuízo de £5.4 bilhões no primeiro semestre de 2020 e anunciou o corte de 9.000 empregos em todo o mundo, o que representa 15% de sua força de trabalho total. Esta é a principal empresa de engenharia do Reino Unido indo pelo ralo. Outra empresa líder no Reino Unido também está em apuros: em julho de 2020, houve conversas de que a projetista britânica de micro-chips ARM seria vendida por seu atual proprietário japonês a uma empresa estadunidense. Os componentes projetados pela ARM são usados ​​em 95% dos smartphones do mundo. Os políticos Trabalhistas alertaram que a empresa estadunidense provavelmente tentará transferir os principais trabalhos de pesquisa e desenvolvimento de projetos do Reino Unido para os EUA. Eles também apontaram o “interesse nacional” na ARM, já que a empresa também é um fornecedor importante para a indústria de defesa. Isso é o que conecta a Rolls Royce e a ARM — serem fornecedoras das indústrias de armamentos, que é um dos poucos setores da indústria onde o Reino Unido ainda tem um papel sangrento de liderança no mundo. Os fabricantes britânicos exportaram £11 bilhões em armas durante 2019 — é o segundo maior valor já registrado, colocando a Grã-Bretanha em segundo lugar no ranking global, atrás dos EUA, e 60% das armas britânicas são exportadas para o Oriente Médio.

Setor de Educação

Outro grande bem de exportação do Reino Unido — o que outros chamariam de imperialismo brando — é o ensino superior, que supera até mesmo as exportações de armas, com uma receita de mais de £ 20 bilhões. Mais de 480.000 estudantes estrangeiros entram em universidades do Reino Unido e pagam caro por isso, em particular para educação em instituições com reconhecido prestígio. O Brexit está ameaçando o setor, já que muitos programas de estudos internacionais estão relacionados à UE. A crise da Covid atingiu este setor, já que muitos estudantes permaneceram no exterior. A administração universitária tenta neutralizar isso introduzindo novos métodos de ensino (online) e uma maior precarização do trabalho nas universidades. Tem havido um aumento nas lutas de trabalhadores universitários (por exemplo, nas universidades de Goldsmith e Edinburgh) e estudantes — que foram chamados de volta à universidade para manter o fluxo de caixa apenas para serem colocados de quarentena nos dormitórios quando os casos Covid explodiram. Em resposta, houve greves de aluguel.

Migração

Quando se trata de migração (de trabalho), o Estado no Reino Unido mostra sua posição contraditória. O Reino Unido depende da imigração na forma de estudantes estrangeiros. O NHS depende de enfermeiras imigrantes — e quando o governo quis introduzir que ‘funcionários estrangeiros do NHS’ teriam que pagar por seu tratamento de saúde, eles tiveram que recuar. Um argumento para o Brexit era o “fim da liberdade de movimento”, para impedir que trabalhadores pouco qualificados da Europa Oriental “inundem o Reino Unido”. Durante a pandemia de Covid, tornou-se mais evidente que, na verdade, há uma falta de trabalhadores que fariam trabalhos pesados, como trabalho agrícola. Enquanto falava sobre “independência” para o público no palco político, nos bastidores o governo assinava contratos com o governo da Ucrânia para permitir que trabalhadores sazonais viessem ao Reino Unido, dado o fato de que não há número suficiente de trabalhadores de países do Leste Europeu para esses trabalhos. De volta ao palco político, o governo mostra sua “cara feia populista”. A mídia noticiou em outubro que o governo discutiu a detenção de migrantes em centros nas ilhas remotas no Atlântico Sul, bem como propostas para construir instalações na Moldávia, Marrocos e Papua Nova Guiné. Outras ideias incluíam mantê-los em plataformas de petróleo ou impedi-los de cruzar o Canal com máquinas de ondas e bloqueios.

Finalmente um setor em expansão: funcionários aduaneiros

Em uma economia devastada pela pandemia, o Reino Unido pode se orgulhar de pelo menos um novo boom em um setor — o aduaneiro. Até 50.000 pessoas poderiam encontrar um novo emprego como funcionários aduaneiros, facilitando o comércio entre a Grã-Bretanha e a UE sob os novos acordos do Brexit. Provavelmente haverá algumas centenas de vagas de trabalho para manobrar caminhões em estacionamentos massivos em Kent, onde terão que esperar até que seus papéis sejam processados. Isso se soma aos cerca de 8.000 funcionários públicos e advogados contratados desde 2016 apenas para lidar com os procedimentos do Brexit. O National Audit Office (NAO) estimou que pelo menos £4,4 bilhões foram gastos na “preparação do Brexit” até a data de saída 31 de janeiro de 2020.

Economia do Corona

O Estado do Reino Unido tem grandes problemas para fornecer vários serviços e bens necessários para lidar com a crise da Covid. Devido à falta de capacidade de fabricação local, a maioria dos itens de equipamento de proteção individual (EPI) teve que ser importada da China — muitos desses itens acabaram se tornando inúteis. Em termos de produtos farmacêuticos, o Reino Unido e a UE estão profundamente interligados, um problema que já foi destacado durante as discussões sobre um cenário “sem acordo” (“Será que vamos receber a insulina para a nossa diabetes?”). Em 2016, o Reino Unido exportou £24,9 bilhões em produtos farmacêuticos, dos quais 48% foram para a UE. Ao mesmo tempo, o Reino Unido importou £ 24,8 bilhões em produtos farmacêuticos, dos quais 73% eram da UE.

Ainda mais aparente foi o problema do Estado no Reino Unido em organizar o trabalho administrativo necessário para lidar com a pandemia. Grande parte do trabalho foi terceirizado: desde março de 2020, mais de 850 contratos relacionados ao Coronavírus no valor de £10 bilhões foram entregues a empresas privadas. Tanto as empresas do setor privado quanto do público tiveram problemas para coordenar seu trabalho. A Public Health England perdeu o registro de 16.000 casos de coronavírus porque usaram uma versão desatualizada do Microsoft Excel. A gigante da terceirização Serco recebeu um contrato de £108 milhões para organizar o rastreamento de contatos e decidiu terceirizar ainda mais esse trabalho para 29 empresas menores. Um contrato de £252 milhões para o fornecimento de EPI foi concedido a um fornecedor sem experiência no fornecimento de tais equipamentos e de propriedade de um consultor do secretário de comércio internacional, Liz Truss.

Johnsonomics? Johnsonismo?

O último exemplo é geralmente usado pela esquerda para descrever as características própias da ‘Johnsonomics’ — uma mistura de corrupção elitista, capitalismo rentista e populismo de direita. Sua principal conquista como prefeito de Londres não foi transformar a cidade em uma lavanderia de dinheiro global e sua estratégia atual não foi apenas escalar isso para um nível nacional a la “Cingapura no Tâmisa”? Ou, como colocou Paul Mason:

<blockquote>
“Este é o novo sonho Conservador. Eles usarão o auxílio estatal para dar tratamento preferencial às start-ups de tecnologia dirigidas por seus amigos de Oxbridge e criar do zero uma indústria de IA, uma indústria espacial e um cluster de medicina genética. E para isso eles precisam de liberdade absoluta da Europa. Na verdade, muito mais abertamente do que no Brexit 2.0, eles precisam que a Europa falhe. Se você seguir a lógica da citação anônima de Peston, o propósito de a Grã-Bretanha ter uma “empresa de tecnologia de um trilhão de dólares” é “possuir/coagir” aqueles que não tem”.
</blockquote>

Nós achamos que a tentativa da esquerda de reduzir o atual governo a lacaios da “classe rentista” é mais uma expressão de sua própria crise de identidade que foi causada pela maciça intervenção estatal dos Conservadores durante a crise de Covid — pois isso era visto como a marca registrada das “políticas de Estado de esquerda”. Isso foi ainda mais aprofundado quando os Conservadores anunciaram investimentos significativos em infraestrutura e planos para aumentar o imposto sobre as empresas e lutaram no terreno internacional para obter uma certa autonomia em relação à gestão dos subsídios estatais. Ao focar nos alvos fáceis (“Cummings quer vender o NHS para Trump”), eles podem ignorar o fato de que um governo Trabalhista teria que lidar com as mesmas restrições estruturais de crise e dependência global, o que limitaria severamente a possibilidade de “reformas socialistas”.

Dito isso, os Conservadores ainda são fundamentalmente o “partido dos proprietários fundiários”. O setor imobiliário é significativo economicamente e como lobby social. No final, cerca de 45% dos pagamentos por licenças de trabalho acabarão sendo gastos com aluguel e hipotecas. O governo ofereceu um “feriado hipotecário” aos proprietários, mas nenhum equivalente real às pessoas que pagam aluguel. O imposto cartorial que você deve pagar para o Estado ao comprar um imóvel foi cancelado até abril de 2021, o que supostamente incentiva os negócios imobiliários. Johnson propôs que os bancos introduzissem “hipotecas de baixo depósito”, o que tornaria mais fácil endividar-se para comprar uma casa.

Os conservadores sabem que não têm poder de fogo industrial e financeiro nas negociações de acordos comerciais e tentam compensá-lo jogando pôquer político, por exemplo, rasgando o acordo de retirada com a sua ‘Lei do Mercado Interno’. “Nós infringimos a lei internacional, se necessário, a fim de fazer o Brexit” é um sinal de virtude para o seu eleitorado local.

A desintegração da Grã-Bretanha?

A posição fraca do Reino Unido agrava as forças centrífugas: as pesquisas atuais mostram 54% a favor da independência da Escócia (8% da população do Reino Unido vive na Escócia, que contribui com cerca de 10% do PIB) e os nacionalistas escoceses e galeses podem usar o estado patético do Reino Unido para se apresentarem como fortes. Em julho, eles confrontaram o plano do governo para permitir que Westminster estabeleça diretrizes ambientais e alimentares unilateralmente — basicamente o poder de impor padrões industriais mais baixos, principalmente para ter melhores cartas nas negociações comerciais com os EUA.

Apesar da postura cultural igualmente patética, a “independência” escocesa é construída sobre fundamentos fracos. Os cálculos para uma economia escocesa independente foram baseados nas receitas infladas do petróleo. O colapso dos preços do petróleo e os custos do coronavírus deixaram claro que a Escócia teria enfrentado enormes dificuldades se tivesse votado pela saída do Reino Unido em 2014. O resto do Reino Unido representa 60% das “exportações” escocesas, enquanto que a UE representa apenas 19%. As transferências fiscais do resto do Reino Unido somam £11 bilhões por ano, o que a Escócia também perderia. O governo Conservador foi capaz de explorar facilmente essa situação, apontando que o Reino Unido financiou o esquema de licença e empréstimos comerciais na Escócia durante a primeira fase da crise Covid-19, protegendo 900.000 empregos locais. O outro grande ponto de interrogação é se a UE permitiria que a Escócia retornasse após o Brexit — já que eles não gostariam de encorajar a secessão política.

A desintegração dos Trabalhistas

Como já foi mencionado, a esquerda trabalhista é confrontada com um intervencionismo estatal liderado pelos Conservadores, com o qual eles têm dificuldade de lidar. Starmer, o novo líder trabalhista, tenta superar os Conservadores e fazer um movimento para a direita declarando que o plano do governo de aumentar o imposto sobre as empresas de 19% para 24% no orçamento de novembro é prematuro. Na guerra cultural, Starmer e a Secretária Sombra do Exterior [Foreign Shadow Secretary] Nandy retrataram o Trabalhismo como o partido “da família e da segurança”, ou, para citar Nandy: “Acho que você verá uma mudança real no tom e na abordagem do Partido Trabalhista. Acho que você já viu, definimos em várias áreas — incluindo minha área de política externa — que defendemos a Grã-Bretanha, defendemos o povo britânico, defendemos os interesses britânicos e vamos sempre colocar isso em primeiro lugar.” “Britain First” é um partido político fascista.

A liderança Trabalhista também pediu aos seus parlamentares que não votassem contra o projeto de lei de Fontes Secretas de Inteligência Humana (conduta criminal), que permite que policiais disfarçados cometam crimes “a fim de prevenir crimes maiores” — e isso no contexto de casos atuais na “esquerda”, onde militantes ambientais e sindicais sofreram abuso sexual e a colaboração entre policiais e chefes, o que levou a uma lista negra em massa. Estão surgindo mais evidências de que o próprio Starmer tem relações estreitas com o serviço de inteligência desde seus tempos como Diretor do Ministério Público [Director of Public Prosecutions] (DPP). Em 2010 e novamente em 2012, Starmer tomou a decisão de não acusar um oficial do MI5 por seu papel na tortura. Starmer colocou Charlie Falconer, que arquitetou a justificativa legal para a Guerra do Iraque no governo de Blair, na posição de Procurador-Geral Sombra.

Tudo isso resultou em um êxodo moderado de corbynistas do Partido Trabalhista e na decisão de alguns sindicatos de reduzir o financiamento dado ao partido — mas não em um questionamento mais fundamental se a política parlamentar não está condenada ao fracasso por razões mais estruturais. Muitos dos novos membros da “esquerda socialista” na verdade terão votado em Starmer [1].

As lutas dos trabalhadores

As medidas do lockdown revelaram o ponto fraco material da sociedade: o trabalho em grande parte manual e mal remunerado nos setores essenciais. Enfermeiros, motoristas de entrega, trabalhadores agrícolas estiveram sob os holofotes públicos, o que aumentou sua confiança. Podemos ver que isso se traduziu, pelo menos parcialmente, (por exemplo, no caso de enfermeiras ou trabalhadores de coleta de lixo local), em demandas e até mesmo lutas por salários mais altos. Ao mesmo tempo, podemos ver que o aumento do desemprego e o regime de crise mais amplo, por exemplo. o corte nos benefícios sociais, irá contrabalancear a pressão salarial vinda de baixo.

Atualmente, a segunda onda da pandemia de coronavírus está em pleno andamento. A primeira onda chegou em aviões e afetou principalmente as áreas metropolitanas. A segunda onda viaja de trem e ônibus e atinge principalmente a região norte industrial empobrecida, em particular Liverpool e Manchester. Lockdowns locais impostos pelo governo central aumentam a tensão entre a classe política local e a nacional. Essas áreas são ao mesmo tempo abaladas pela primeira onda de demissões, por exemplo, os trabalhadores de engenharia de renda relativamente alta (£ 45.000) da Rolls Royce em Barnoldswick, cujo trabalho teria sido transferido para Cingapura. Vemos os primeiros murmúrios da classe política contra Johnson. Há uma facção entre os Conservadores que está pegando a declaração emitida por “cientistas” de que a sociedade deve voltar ao normal e apenas proteger os vulneráveis. Deixem os pobres e os velhos morrerem para podermos ganhar dinheiro. Mas essa atitude, meio entendida, ganha muito apoio de uma ampla faixa da população que vê que o governo não tem planos, que não há fim à vista e que, se as pessoas não podem trabalhar, elas estão ferradas. Devido a essa combinação — uma crise de saúde mal administrada com lockdowns arbitrários, uma forte crise econômica e uma classe trabalhadora mal preparada — as tendências de direita podem lucrar.

Como militantes da classe trabalhadora, temos que fazer duas coisas. Temos que questionar alguns dos “cenários apocalípticos” que a esquerda gosta de pintar. Isso pode ajudar os patrões a chantagear os trabalhadores para que aceitem piores condições. Até agora, o desemprego aumentou apenas ligeiramente, de 3,9% para cerca de 4,5% — nos três meses anteriores a agosto, 114.000 pessoas foram despedidas. Isso não significa que as coisas não vão mudar quando alguns subsídios salariais acabarem, já que ainda há muitos trabalhadores no regime de licença e/ou ausentes do trabalho: seu número caiu de 7,3 milhões no período de abril a junho para 6,4 milhões de junho a agosto. Precisamos analisar a mudança na composição do desemprego. Em segundo lugar, temos que olhar para as mudanças reais nas relações de poder no chão de fábrica durante o lockdown e depois. Para tanto, nosso coletivo iniciou uma série de entrevistas. Esperamos resumir as entrevistas com trabalhadores de dezenas de setores em um panfleto com posições claras sobre a crise e com propostas práticas de contra-ataque [2].

Podemos ver o papel problemático dos sindicatos tradicionais onde trabalhamos. Um camarada trabalha no aeroporto de Heathrow [3] onde a British Airways usou a crise para um desfechar um ataque repentino, ameaçando despedir a maioria de seus trabalhadores e recontratar metade deles em condições piores — um número total de cerca de 10.000 demissões. Existem vários sindicatos que representam os trabalhadores no aeroporto e eles não coordenaram uma resposta coletiva, em vez disso, começaram uma campanha “BA trai a Grã-Bretanha”, que até agora só tem como alvo principal o governo. Filiais sindicais individuais assinaram contratos que pioram as condições de trabalho, na esperança de que seus departamentos fossem poupados e efetivamente vendendo outros departamentos. O sindicato acabou oferecendo “cortes salariais temporários”, mas a empresa se sentiu encorajada a exigir que esses cortes salariais fossem permanentes.

Nós vimos uma situação semelhante durante a greve de trabalhadores em Tower Hamlets contra as demissões, onde alguns camaradas estavam envolvidos [4].

Para uma compreensão mais profunda da situação atual no trabalho e para podermos apoiar as iniciativas da classe trabalhadora contra o ataque da crise, temos que estar organizados. Estamos em contato com camaradas de várias cidades que desejam formar grupos locais [5]. Envolva-se.

 

Ilustram este artigo obras de Wassily Kandinsky (1866-1944).

Notas

[1] Quanto à continuidade entre Corbyn e Starmer: “Corbyn foi eleito líder em 2015 com cerca de 250.000 votos, uma maioria de 59,5%. Cinco anos depois, Starmer foi eleito com 276.000 votos e uma maioria da mesma ordem — 56%, com uma participação consideravelmente menor, pouco menos de 63% contra 76%. Não houve uma troca massiva de membros entre os dois. A metade dos membros do partido que antecedeu Corbyn permaneceu frágil ou firmemente ligada as ideias de Blair, enquanto a candidata de esquerda, Rebecca Long-Bailey, recebeu pouco mais de um quarto dos votos. Em outras palavras, a maioria dos apoiadores de Corbyn fugiu sem remorso para um político que conspirou com outros para o depor após um ano de sua eleição.” (Anderson)
[2] https://letsgetrooted.wordpress.com/2020/07/07/interview-series-workers-power-during-the-lockdown/
[3] https://letsgetrooted.wordpress.com/2020/09/14/local-groups-heathrow/
[4] https://letsgetrooted.wordpress.com/2020/07/02/tower-hamlets-council-workers-strike/
[5] https://letsgetrooted.wordpress.com/contact-local-groups/




Fonte: Passapalavra.info