Novembro 24, 2020
Do Resistência Popular Sindical - SP
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A partir das 10h do dia 27/10, professoras e professores da rede municipal de ensino de São Paulo realizaram um ato em frente à sede do Sinpeem. Em uma conjuntura de constantes ataques às trabalhadoras e aos trabalhadores – agravados devido aos efeitos da pandemia da covid-19 -, o sindicato se mantém fechado, recuado e acovardado desde março, quando a quarentena foi decretada. As instâncias sindicais, como as reuniões de Representantes Escolares (REs) e de Conselheiros estão completamente paralisadas, dificultando possibilidades de articulação da categoria. Em sete meses, o único movimento realizado pelo sindicato foi a eleição, em maio, que garantiu a continuidade da burocracia sindical, na figura de Cláudio Fonseca, há décadas na presidência do sindicato. Uma eleição que ocorreu com baixíssimo quórum e sob protestos da categoria, que demandava seu adiamento até haver condições sanitárias seguras.

Além de visibilizar a inoperância do Sinpeem, a proposta do ato era entregar uma carta aberta – assinada por integrantes da categoria – com o objetivo de exigir a reabertura do sindicato e o início da articulação da luta em âmbito nacional. É importante considerarmos que as condições sanitárias ainda são precárias e a retomada das atividades econômicas foi uma forma encontrada pelos governos para atenderem à sede de lucro do empresariado. A reabertura das escolas, pauta cada vez mais constante, representa um risco não apenas para profissionais da educação, mas para a comunidade escolar como um todo – estudantes e seus familiares. Além disso, em nível federal, o governo Bolsonaro e o Congresso procuram emplacar a chamada “Reforma Administrativa” – um duríssimo golpe ao funcionalismo público. Trata-se, assim como a Reforma da Previdência, de mais um ataque à classe trabalhadora.

A burocracia sindical, porém, reforçou que o sindicato está fechado não apenas em suas instâncias, mas fisicamente: recusou-se a receber e protocolar a carta aberta. Constrangida, mobilizou seus seguranças para fecharem o portão do sindicato. Mais um crasso exemplo do autoritarismo que marca suas ações.

Embora se diga “democrática” – como Claudio Fonseca costuma frisar -, a burocracia sindical prossegue restringindo o sindicato e atropelando decisões da base. Não é de hoje que são desrespeitadas decisões em assembleias e mesmo no Congresso – vide a reabertura das subsedes, jamais concretizada mesmo aprovada em duas ocasiões. O que vimos hoje é mais um demonstrativo de que a burocracia trata o Sinpeem como sua própria empresa. O sindicato tenta manter as aparências. Em suas publicações virtuais, constantemente afirma que haverá greve caso as escolas sejam reabertas. Ora, a gestão escolar jamais parou de trabalhar desde março; recentemente, a prefeitura autorizou a retomada das aulas no Ensino Médio. Onde está a articulação? Aliás, como é possível articular uma greve se a base sequer pode ter acesso às instâncias sindicais?

Precisamos dar um basta nisso. O Sinpeem é um instrumento de luta histórico da categoria e a ela deve servir. Claudio Fonseca e seus burocratas, no entanto, o utilizam para seus próprios interesses. Não custa lembrar que, atualmente, ele é presidente licenciado, pois tenta um novo mandato como vereador pelo Cidadania – partido da base do governo Bruno Covas (PSDB).

Por um sindicato verdadeiramente combativo e que represente a categoria!




Fonte: Rpsindicalsp.wordpress.com