Janeiro 3, 2021
Do Passa Palavra
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Por Labournet TV

Italiano com legendas em inglês. | 55 min. | 2004

Este filme marcante descreve as lutas no complexo petroquímico de Porto Marghera entre 1955 e 2004 – do ponto de vista de alguns dos trabalhadores militantes.

Em conjunto com estudantes e intelectuais eles enfrentaram os patrões, mas também lutaram contra o envenenamento dos trabalhadores e do meio ambiente.

“Todo mundo, trabalhadores e funcionários, era mandado para os abatedouros que eram essas fábricas, onde lidávamos diretamente com o gás cloreto de vinila. Um gás que na época já era conhecido por ser cancerígeno.” Nos contracheques a empresa considerava isso como “nocividade” (nocivitá) e pagava uma gratificação, “comprando a saúde do trabalhador por algumas liras”, como diz um trabalhador no filme.

Eles organizaram conselhos de fábricas nas empresas. Quando o trabalho foi terceirizado eles também abordavam os trabalhadores temporários, para avisá-los das substâncias venenosas a que eles estavam sendo expostos. Depois de 1968 eles foram expulsos do sindicato CGIL [Confederação Geral Italiana do Trabalho] e se organizaram no Potere Operaio [Poder Operário]. Expandiram suas atividades aos bairros próximos, para onde moravam, e participaram em ocupações e na fundação de comitês locais.

Em 2014 o filme foi lançado e legendado pelo coletivo alemão Wildcat, que escreveu o seguinte sobre a obra:

“Diferente dos relatos mais ou menos acadêmicos do Operaísmo italiano, que tendem a focar nos grupos mais destacados e em líderes individuais, ‘Porto Marghera – gli ultimi fuochi’ documenta a organização autônoma dos trabalhadores do ponto de vista dos próprios trabalhadores-militantes, que falam sobre suas experiências no filme. Muitos aspectos e problemas desta fase da luta de classes são de imediata relevância hoje. Por exemplo: Os trabalhadores em Porto Marghera lutaram por melhores condições dentro do seu trabalho, mas ao mesmo tempo contra os impactos danosos da indústria química e do próprio trabalho. Eles defenderam seus trabalhos que faziam mal à saúde, mas o fizeram dentro de uma perspectiva profundamente crítica, em uma época em que os movimentos verdes moralizantes da classe média não existiam. Eles desenvolveram formas organizacionais independentes dentro das lutas da época. Isso significava reavaliar as relações entre:

– as mobilizações dos trabalhadores e seu próprio papel como trabalhadores ativos
– a fábrica e o terreno social mais amplo
– as lutas dos trabalhadores, novas formas de representação sindical e grupos politicos “profissionais” como Potere Operaio
– Movimentos de massa, grupos insurrecionistas armados e repressão estatal.

Traduzido para o português por Marco Túlio Vieira.




Fonte: Passapalavra.info