Junho 11, 2020
Do Guilhotina
324 visualizações


Por Víctor Boaventura

É na construção civil que se verifica um dos principais focos de contágio do novo coronavírus. Já foram confirmados mais de 140 casos no sector, só na Área Metropolitana de Lisboa.

Desde o passado dia 30 de Maio que o Governo começou a efectuar testes na região de Lisboa a mais de 14 mil trabalhadores da construção civil. Isto, apesar da Federação de Sindicatos ter alertado as autoridades de focos graves de COVID-19 em várias empreitadas já desde o final do mês de Março

São muitas as obras onde não existem meios suficientes de protecção individual e colectiva. A formação de trabalhadores para saberem como se proteger do novo coronavírus é praticamente inexistente, alerta a Federação de sindicatos do sector. 

Em comunicado, a Feviccom refere que também não é cumprido o distanciamento físico mínimo recomendado pelas autoridades de saúde, quer nas obras, quer nos transportes privados das empresas. Na maioria das vezes, os trabalhadores são transportados para diferentes concelhos em transportes colectivos.

Rastreio dos trabalhadores da construção civil ao COVID-19 efectuado só na região de Lisboa

O sector da construção civil foi um dos que nunca pararam durante o estado de emergência. Com 600 mil trabalhadores, os sindicatos defenderam, desde o início, testes em massa ao COVID-19 em todo o país. Assim como defenderam também a paralisação de obras não essenciais. Neste momento só estão a ser testados trabalhadores da área metropolitana de Lisboa.

Um dos últimos focos de contaminação detectados na construção civil foi na construtora Teixeira Duarte. Apesar de ter sido detectado o primeiro caso de COVID-19 no dia 15 de Abril, esta empresa demorou quase 1 mês e meio para efectuar rastreio a todos os seus trabalhadores. 

Dos testes em massa realizados aos seus trabalhadores efectivos, cerca de 2000, e de subempreiteiros, mais 1500, identificaram 63 infectados com o novo coronavírus, todos assintomáticos.

Patrões mentem – dizem não haver nenhum problema no sector

Manuel Reis Campos, presidente da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOP), veio a público defender as empresas do sector. Mentiu descaradamente quando disse que não tem havido “nenhum problema” desde Março.

Apesar de haver já vários casos de COVID-19 em várias obras e empreitadas identificados pelas autoridades, o presidente da AICCOP veio a público dizer que não sabia o que estava a acontecer em Lisboa: “Sei que há focos em obras, não é no sector”

Lisboa e Vale do Tejo continua a ser a região do país com mais casos diários de infecção por COVID-19, com 75% dos 342 novos casos ontem reportados.

Gostaste do artigo? Considera subscrever a newsletter. Permite-nos chegar a ti directamente e evitar a censura das redes sociais.




Fonte: Guilhotina.info