Março 15, 2022
Do Agencia De Noticias Anarquistas
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A seguir, comunicado contra a invasão da Ucrânia pela Rússia, assinado por diversos coletivos e militantes anarquistas portugueses, e distribuído na manifestação realizada em Lisboa junto da Embaixada da Rússia, ontem, 13 de março, e em diversos pontos do país.

CONTRA A INVASÃO RUSSA E A GUERRA!

SOLIDARIEDADE COM O POVO UCRANIANO!

Estamos contra esta guerra. Nem Putin, nem Otan. Antimilitaristas, não tomamos partido por quem bombardeia as populações, seja o exército ucraniano sobre Donbass, sejam os mísseis e tanques do Estado Russo sobre a Ucrânia. Tomamos partido, sim, por quem sofre a força bruta dos nacionalismos, por quem sai à rua com a coragem para deixar claro que os povos têm outra maneira de se relacionar.

Pessoas na Ucrânia, antiautoritárias, antifascistas, ativistas LGBT, algumas das quais mantêm meios de informação independentes, pedem a nossa solidariedade enquanto combatem a invasão nas ruas.

Tal como em 2014, simplificar a guerra atual na Ucrânia, ou como uma batalha entre os interesses democráticos ocidentais e as aspirações imperiais pós-soviéticas, nacionalistas russas, ou como movimentos políticos neo-fascistas e lutas de libertação nacional, não ajuda à compreensão das verdadeiras causas desta guerra.

Distanciamo-nos de quem diz coisas como “a Rússia foi provocada e tem direito a retaliar”. Afirmações como esta sugerem um processo de desculpabilização de ações inaceitáveis. O atual governo russo nacionalista e reacionário, que desenvolve há anos um projeto imperialista, pretende agora subjugar outro país – bastante rico em matérias-primas como urânio, carvão, gás natural, e grandes produções agrícolas –, ao mesmo tempo que reprime constantemente as vozes dissidentes internas.

Estes mesmos recursos interessarão também a Joe Biden, cujas políticas imperialistas são igualmente reconhecidas. No entanto, ser contra o imperialismo norte-americano não pode significar que se desculpe outro imperialismo. Tal como já foi dito o imperialismo russo moderno baseia-se na percepção de que a Rússia é a sucessora da URSS – não no seu sistema político, mas em termos territoriais.

Neste momento, seguimos com atenção as situações de Chernobyl e de outras centrais nucleares da Ucrânia, e bombardeamentos sobre alvos civis, atos bélicos próprios de quem não olha a meios para atingir os seus fins.

A lei marcial imposta na Ucrânia obriga a que todos os homens entre os 18 e os 60 estejam proibidos de sair do país. São aconselhados a pegar em armas e a defender a sua “pátria”. A guerra evidencia que o patriarcado, expresso de forma natural nos nacionalismos e nas disputas pelo poder de Estado, é uma brutalidade para todas as pessoas. Mesmo que se reconheça o direitos dos povos à resistência a um agressor.

Estamos solidárias com todas as pessoas na Ucrânia que foram apanhadas por uma guerra que não compraram, bem como com a diáspora ucraniana espalhada por vários países. Refugiados/as serão bem-vindos/as, como todos/as os/as outros refugiados e migrantes deste mundo em guerra.

Rejeitamos ainda qualquer russofobia. Expressamos toda a nossa solidariedade com o povo russo, que irá sofrer uma crise sem precedentes, e estamos a seguir organizações de apoio aos detidos em manifestações contra a guerra que tiveram e têm lugar em território russo.

CONTRA AS GUERRAS ENTRE ESTADOS!

SOLIDARIEDADE ENTRE OS POVOS.

UM GRUPO DE ANARQUISTAS E LIBERTÁRIOS

Fonte: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2022/03/14/contra-a-invasao-russa-e-a-guerra-solidariedade-com-o-povo-ucraniano/

agência de notícias anarquistas-ana

criança traquina
saltita atrás dos pássaros
natureza em flor.

Helena Monteiro



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Fonte: Noticiasanarquistas.noblogs.org