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Como resumo da reunião de 27 de março, publicamos uma sistematização de alguns pontos, de modo que possa até mesmo ser usada como orientação para os sindicatos discutirem em suas respectivas bases.

Para exemplificar a representatividade desta reunião, estiveram presentes sindicalistas do Congo, Togo, Venezuela, Chile, Colômbia, Brasil, EUA, Portugal, do Estado Espanhol, Itália e França.

1. A pandemia abriu uma grande crise, com grande impacto sobre a saúde da classe trabalhadora, mas também sobre os direitos trabalhistas e a situação nas fábricas. Desde o início desta crise, a burguesia colocou seus lucros e sua produção em primeiro lugar, deixando a vida dos trabalhadores expostas ao vírus.

Onde houve paradas na produção para que houvesse medidas de defesa da saúde nas empresas, foram muitas vezes os trabalhadores que as impuseram com suas lutas.

Em todo o mundo, a falta de cuidados com a saúde da classe trabalhadora continua, seja devido às ausentes medidas de proteção, de políticas governamentais que garantam a saúde e os direitos dos trabalhadores, de modo que continuam faltando vacinas e testes massivos, ao mesmo tempo em que os ataques aos direitos da classe seguem avançando. Também devido à pandemia e às mudanças que ela provocou nos mercados mundiais, estão ocorrendo paradas de produção nas cadeias de suprimentos como a questão dos semicondutores (chips), com consequentes ataques aos direitos dos trabalhadores e ao emprego.

2. No setor industrial, já havia uma situação de instabilidade desde a crise de 2008. Por exemplo, no setor em crescimento, mudanças muito importantes continuam a ocorrer com fusões de grandes grupos, reestruturação de outros, fechamento de fábricas e relocalização da produção. Ao mesmo tempo, há um avanço na reestruturação da produção, com um aumento na automação e digitalização (Indústria 4.0) com consequências na redução de empregos. Subcontratação, trabalho temporário e outras formas de insegurança no trabalho também estão avançando. Neste contexto, há processos de criminalização dos sindicatos e redução de seu espaço de ação.

3. A mudança energética no setor também é um ponto fundamental para entender o que está acontecendo neste setor em todo o mundo. Supostamente para reduzir o impacto da indústria sobre o meio ambiente, com a questão da mobilidade elétrica a burguesia está implementando planos de reestruturação produtiva com cortes de empregos e o avanço da Indústria 4.0. Dizemos supostamente, porque o carro elétrico está sendo uma forma de abrir novos mercados para grandes grupos, aumentando seus lucros e piorando a vida dos trabalhadores com cortes nos direitos e no emprego. O impacto desta mudança energética em países como o Congo, por exemplo, onde a extração de minerais essenciais para a produção de baterias para a mobilidade elétrica é feita sem o menor respeito pela saúde dos trabalhadores e pelo meio ambiente, utilizando trabalho infantil e com condições de trabalho miseráveis, mostrando que não existe uma preocupação ecológica real e que o único objetivo é aumentar os lucros para as empresas.

4. Assim, há necessidade de construir campanhas contra a precariedade do trabalho, pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários (como a luta pelas 30h semanais sem redução de salário dos colegas da CGT), pelo direito à vida e contra os governos que aplicam planos contra os trabalhadores.

Devemos também lutar pelo respeito ao movimento sindical e contra a perseguição e criminalização dos sindicatos. A saída é a luta pelas necessidades e pela vida da classe trabalhadora, sempre com independência de classe em relação à burguesia e aos governos e com o internacionalismo dos trabalhadores. Os dias 28 de abril, Dia Internacional da Segurança e Saúde no Trabalho, e 1º de maio, Dia Internacional do Trabalhador, poderiam ser dias de referência para estas campanhas.

5. De 23 a 26 de setembro, a reunião da Rede Internacional será realizada em Dijon, aproveitaremos a reunião presencial para discutir as campanhas internacionais do setor e durante os próximos meses compartilhar as lutas e campanhas através do grupo WhatsApp e através do mailing list da Rede Internacional do Trabalho de Solidariedade e Lutas.




Fonte: Laboursolidarity.org