Setembro 18, 2021
Do Reporter Popular
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Por Repórter Popular, Cachoeirinha (RS)

Desde 2019 o local tem sido alvo de especulação imobiliária por parte de construtoras que querem transformá-la em um grande condomínio privado, os atuais proprietários são a Habitasul e os herdeiros da família do falecido Júlio Baptista, que acumulam uma dívida milionária em IPTU junto aos cofres municipais. O governo municipal inclusive vem tentando aprovar alterações no Plano Diretor da cidade que viabilizariam a intenção dos especuladores, mas as tentativas foram frustradas pelo Ministério Público em 2020, que recomendou a suspensão do processo de alteração da legislação e que “nada mais aconteça antes do término da pandemia” (Procedimento nº 01504.000.247/2019 — Procedimento Administrativo de acompanhamento de Políticas Públicas).

Segundo os Mbyá Guarani, em entrevista para o Repop, a retomada da área é para a sua preservação, visto que a terra “sempre foi nossa”, o cacique do grupo também afirma que eles não possuem nenhum tipo de vinculação com partidos políticos e que suas finalidades são de resguardar, proteger e manter os seres em um ambiente de harmonia, diante de tanta exploração e devastação.

O MP/RS já emitiu uma certidão reconhecendo a ocupação dos indígenas, mas a FUNAI ainda não se manifestou até o momento. Representantes da Habitasul e o caseiro responsável estiveram com os Mbyá na manhã deste sábado tentando retirá-los do local, assim como a polícia militar, mas o grupo está respaldado pela certificação do Ministério Público.

Alguns moradores, coletivos da região e o SIMCA já passaram pelo local para prestar solidariedade ao grupo e deixar mantimentos para ajudar na ocupação, dentre os mais urgentes estão alimentos, água, roupas, cobertores e lonas para construção de abrigos. Também está em andamento uma campanha de arrecadação organizada pelo coletivo Teia dos Povos (imagem).

Link da reportagem de 2019:

O reinado de Miki Breier e o Mato do Júlio




Fonte: Reporterpopular.com.br