Junho 24, 2021
Do Reporter Popular
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Do Repórter Popular – Rio de Janeiro

No último dia 11 de junho, o juízo da 6ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro atendeu ao pedido da concessionária de trens Supervia e deferiu sua recuperação judicial, nos autos do processo nº 0125467-49.2021.8.19.0001.

Recuperação judicial é um processo em que, quando uma empresa está perto de falir, ela pede à justiça que lhe seja possível suspender a cobrança de suas dívidas temporariamente e apresentar um plano de negociações com seus credores. No caso de uma concessionária de serviço público, a tendência é que os serviços piorem e as tarifas aumentem, sobretudo considerando o histórico da Supervia.

Não deu outra. Nesta última semana, por quatro dias seguidos, entre os dias 21 a 24 de junho, a Supervia suspendeu seus serviços em dezenas de estações, sobretudo nos da Baixada Fluminense. Na manhã da quarta-feira, dia 23, os serviços chegaram a ser interrompidos na estação terminal da Central do Brasil, última estação de acesso ao centro da cidade, o que obrigou milhares de trabalhadores a terem de saltar estações antes e pegar outro meio de transporte para chegar ao trabalho. A circulação em ramais da Baixada Fluminense se mantiveram interrompidos até quinta-feira.

O cenário é de caos absoluto, com recorrentes casos de descarrilamentos e incêndios nos trens, além de outros acidentes, que não só impedem a população de se locomover devidamente, como frequentemente deixm mortos e feridos, como o emblemático caso de Joana Bonifácio, jovem morta pela Supervia em 2017, ao cair no vão da plataforma de acesso e ser arrastada por cerca de 20 metros pelo trem em movimento.

É neste cenário que, no último dia 01 de junho, a Supervia anunciou um novo aumento da tarifa, que irá de R$ 5,00 para R$ 5,90 a partir de 02 de julho, em menos de um semestre do último aumento. Nesta última ocasião, o aumento anunciado também era de R$ 4,70 para R$ 5,90, o que só foi parcialmente evitado com as mobilizações do povo nas ruas.

Manifestação contra o aumento das passagens de trens e barcas em 01/02/2021. Foto: J.Lee

Com o processo de recuperação judicial da concessionária, a tendência é que o cenário siga piorando, com a tarifa em galopante aumento e o serviço público sendo cada vez mais sucateado. É dever de toda concessionária de serviço público — que geralmente possuem lucros milionários, como é o caso da Supervia, controlada pelo mega consórcio multinacional Mitsui — investir nos serviços prestados, o que é evidente, pela abismal precarização dos serviços, que não ocorre nos trens fluminenses. 

Manifestação contra o aumento das passagens de trens e barcas, na Central do Brasil, em 18/02/2021.
Panfletagem contra o aumento das passagens na estação de trem de Madureira, Zona Norte do Rio, em 17/02/2021.

Já as instituições responsáveis por fiscalizar tais serviços, bem como as inúmeras irregularidades já citadas, se mantêm inertes, quando não estão envolvidos esquemas de corrupção, como expôs recente delação do ex-presidente da Fetranspor, federação das concessionárias de ônibus fluminenses, que revelou pagamento de milhões em propina a desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e a integrantes do Ministério Público do mesmo Estado. Quando não é apenas por corporativismo de classe que o Estado só trabalha em prol do capital, é pelos esquemas de corrupção, que enriquecem ainda mais os de cima em detrimento da miséria do povo.

Todo esse cenário de terra arrasada só deixa claro a falência e irrecuperabilidade do modelo de privatização que as concessões de serviços públicos de transporte deixaram no país. O cenário do Rio se repete, em maior ou menor escala, em diversas capitais e outras cidades Brasil afora. Somente o povo organizado e mobilizado em prol de seus direitos será capaz de garantir seu direito à cidade, por meio das lutas por transportes públicos, universais e de qualidade.




Fonte: Reporterpopular.com.br