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O avanço da COVID-19 segue na mesma proporção que os ataques contra as/os trabalhadoras/es. Mato Grosso já registra, mesmo podendo ser dados de subnotificação, 5.832 óbitos; as UTIs, falando das destinadas para a população pobre e sem planos de saúde, já apresentam mais de 100% na Taxa de Ocupação; as taxas de infecção em crianças, adolescentes e jovens, têm crescido de forma preocupante. Tal aumento está relacionado aos mais variados problemas existentes em nossa sociedade: negacionismo, lazer descontrolado e sem os devidos cuidados necessários, retorno às funções normais em ambientes de trabalho precarizados e insalubres, ônibus lotados para atender aos interesses dos patrões em seu lucro privado, a falta de uma política social eficiente e real etc. Se falta comida em casa, se as contas vão se acumulando, se não há alternativas concretas para a sobrevivência e vida digna da população, se jogar na sorte é o que resta para quem precisa sobreviver dia a dia.

Mato Grosso passará, por 15 dias, por um lockdown “híbrido” – conforme a noção errônea que a Seduc e Governo têm sobre a prática de educação que vem se ampliando por todo o estado. Será, na verdade, aplicação de “toque de recolher” após determinado horário, mantendo normalmente toda circulação de trabalhadoras e trabalhadores, estudantes – toda a sociedade – em horários “comerciais”; a ideia não tem como foco parar o normal funcionamento do setor comercial no estado, pelo contrário, busca aplicação de um toque de recolher a partir de determinado horário – das 21h às 5h. O fluxo, interação e possíveis aglomerações irá seguir normalmente; as trabalhadoras e trabalhadores continuarão em suas rotinas normais de trabalho e correndo riscos de vida. E quem tem buscado sobreviver via aplicativos, em horários noturnos, poderão sofrer com as possíveis arbitrariedades do toque de recolher e do estado policial.

Enquanto Mauro Mendes e Emanuel Pinheiro seguem numa briga ridícula para ver quem mais aparece nas mídias locais, é o povo que segue sofrendo com as incertezas causadas pela pandemia e pelo interesse de lucro do empresariado local; não se pode ter inocência com o setor do grande empresariado, estes pressionam prefeituras ou governo do estado por causa do temor em perder lucros e não pelas problemáticas sofridas por trabalhadoras e trabalhadores ao terem seus salários cortados. Quem realmente sofre com a pandemia são as trabalhadoras e trabalhadores: seja trabalhando e correndo riscos de contaminação, seja em quarentena e com a falta de auxílio adequado para subsidiar o alto custo de vida.

Pandemia Política

Todo o caos que temos sofrido pela pandemia está ligado com as políticas governamentais; uma coisa é o desconhecimento sobre algo novo que surge na sociedade e outra coisa é o desinteresse em se aplicar políticas sociais que realmente busquem atender a população e avançar na contenção das contaminações por COVID-19. Quando a política estatal prima em atender unicamente aos grandes empresários, ao agronegócio e setores privilegiados do Judiciário e Legislativo, em pleno caos pandêmico, isso deixa explícito que há uma escolha dentro de um projeto político de sociedade. As políticas sociais de contenção, de auxílio e da própria prática de política de morte estão ligadas com as intenções político-econômicas dos governos (federal, estadual e municipal).

Quando as instituições não pensam em uma maneira eficaz para atender as demandas sociais, dando maior foco em políticas de atendimento ao grande empresariado, ao agronegócio e ao alto escalão do judiciário – aumento de salários e verbas para o Legislativo e Judiciário, quando a população e setor executivo segue sofrendo com precarizações –, as ações fazem parte de uma política de priorização de um setor da classe social: aqueles que acumulam rios de dinheiro enquanto o povo padece na miséria gerada não só pela pandemia, mas pelo constante aumento do custo de vida.

As flexibilizações que vem ocorrendo, desde 2020, têm sido para atender as pressões dos setores privados. Não se viu reais preocupações com a população desempregada, com as/os autônomos, com a população que vive em moradias precárias (sem saneamento básico) e naquelas que vêm sofrendo com despejos autorizados pelo Judiciário de Mato Grosso. Além disso, o que tem sido explícito é uma briga de “egos políticos” – os governantes se dão a esse luxo – entre Mauro Mendes e Emanuel Pinheiro… Se a esfera federal já dificulta uma tentativa de “gestão” da pandemia, ao decretar, por exemplo, que estados e municípios estariam proibidos de comprar vacinas, aqui em Mato Grosso, governador e prefeito de Cuiabá entram em embates completamente infrutíferos para estabelecer quem deve atender as vítimas de COVID-19 ou quem manterá ou qual decreto vale mais – estadual ou municipal. Enquanto os de cima brigam, os debaixo padecem com os esforços de tentar sobreviver em meio ao caos gerado pelo capitalismo.

Para quem tem dinheiro: Lucro Constante

A maior preocupação dos governantes é com a economia, mas com a lucratividade econômica dos grandes empresários e não com políticas econômicas sérias para dar suporte para a população que realmente vem sofrendo com a pandemia. Os grandes especuladores financeiros, os grandes proprietários de terras, o empresariado urbano de alta acumulação financeira… esses nunca foram afetados profundamente com a crise pandêmica, pelo contrário, seguiram e seguem lucrando e lucrando – crise econômica só existe para nós, trabalhadoras e trabalhadores, que vendemos/trocamos nossa força física e intelectual (quando não o nosso próprio sangue/vida) para podermos custear um pouco de vida digna.

O custo de vida do nosso povo tem aumentado violentamente e ao mesmo tempo seguimos com o salário mínimo congelado. O auxílio emergencial possibilita uma sobrevivência, mas se torna irrisório quando o custo dos alimentos, remédios, energia elétrica, água, combustível e tudo mais seguem em constante aumento. Então, fica evidente que a preocupação econômica do governo é para com o pequeno susto no bolso dos patrões! Se houvesse uma real preocupação com a população, sujeitos que realmente movimentam a economia, seja por meio da produção, venda, consumo, etc., não se aplicaria políticas que caracterizam uma “política de morte” – fazendo com que as trabalhadoras e trabalhadores sigam correndo os riscos dentro de ônibus lotados e exercendo trabalhos insalubres, sem uma verdadeira condição de higienização e cuidados necessários que o atual momento nos exige.

Mato Grosso segue isentando latifundiários, segue não taxando de forma real os grandes empresários e, além dessa passada de pano, segue possibilitando incentivos fiscais. O povo segue em ônibus lotados, postos de saúde precarizados, escolas sucateadas, falta de água nos bairros, falta de moradia digna e com baixa renda salarial. O povo seguirá sofrendo enquanto não tivermos, nessa pandemia, uma política de vacinação em massa para todas e todos!

Toque de recolher para bobó tcheira-tcheira

O que estaremos enfrentando é uma medida, não que não seja necessária, mas totalmente destinada para enganar a população. O fluxo de trabalhadores e trabalhadoras seguirá normalmente, o lucro dos patrões seguirá de vento em polpa, pois a economia não pode parar (não tem parado, principalmente quando se trata dos maiores devedores aos cofres públicos de Mato Grosso – o Agronegócio). A economia não pode parar, mesmo que sigamos perdendo mais algumas vidas, mesmo que ultrapassemos o registro de 6.000 mil mortos em nosso estado, não pode parar mesmo que já vivenciamos a superlotação das UTIs e estejamos dentro de um colapso explícito (já chegamos na marca de 99% das UTIs ocupadas e um número significativo de pessoas aguardando vagas).

Há enormes problemas gerados pela liberação geral e pelo grande fluxo de pessoas em casas noturnas, bares, restaurantes, shopping, etc. O discurso negacionista ganhou rápida proporção e utilização pela nossa população, tendo até, em vários momentos, o próprio governador do estado usado o negacionismo para avançar em sua política estadual de ataques. O estado chegou ao colapso nos hospitais, chegou ao pico de calamidade por falta de UTIs, falta de trabalhadores/as de linha frente para a saúde e insumos necessários. Qual será a saída adotada pelos governantes municipais e estaduais?

Outra incoerência é o funcionamento de escolas particulares durante esse período ou a tentativa por parte do governo de Mauro Mendes de obrigar as escolas públicas a realizarem “plantões tira dúvida” presencial ou a medida da prefeitura de Emanuel Pinheiro de levar trabalhadoras e trabalhadores para dar aula das escolas. Posturas que contrariam a lógica dos próprios decretos estaduais e municipais. Em Cuiabá, e em diversos outros municípios do estado, a extrema direita negacionista, a Direita MT, juntou-se a empresários da Educação para fazer pressão pelo retorno presencial das escolas, acionando diversas frentes – “atos” em frente a prefeituras, abaixo assinado, cartas aos governantes etc. Nisso, vemos a relação lucrativa da extrema direita e dos “liberais”, relação que se reproduz, também, nas demais questões que envolvem o país hoje. Em seus discursos distorcidos, afirmam preocupação com a educação de crianças e jovens. No fim, bem sabemos que os motivos que os movem são bem outros – reforçar uma narrativa negacionista e proteger os lucros do empresariado da Educação. Governo do estado e prefeitura de Cuiabá cederam facilmente. O resultado já tem se apresentado, número grande de trabalhadoras/es e estudantes atingidos pela COVID-19. A pergunta é: a quem serve o funcionamento de escolas mesmo diante do colapso da saúde em Mato Grosso (aumento de casos e mortes de COVID, falta de leitos de UTI e insumos básicos nos hospitais)? Certamente, não é às crianças e aos adolescentes.

Passaremos por quinze dias de um “lockdown híbrido” (mini lockdown, usando o conceito governamental), durante o qual, o que poderá aumentar é a prática do Estado Policial de Ajustes, maior punitivismo e violência contra a população nas periferias e quebradas; aplicação de multas de R$500 reais para pessoas físicas, fora outras possíveis práticas repressivas e de violência contra a população. Seguiremos enfrentando uma rotina normal para quem precisa trabalhar para sobreviver, tendo alguns trabalhadores e trabalhadoras afetados (os que executam trabalhos noturnos) e correndo o risco da perda do trabalho e sem nenhum auxílio para custear o alto custo de nossas vidas. Aumentar o efetivo de polícia nas ruas, aplicar multas contra a população civil, dar maior poderio repressivo contra a população… essa é a única saída para conter a propagação da COVID-19 e suas novas variantes? Essa é a única saída para evitar o colapso (já em nossa cara) dos hospitais?

É preciso que haja um auxílio emergencial que tenha como norte a sobrevivência digna do nosso povo, não um norte de lucratividade para os cofres do estado. Pois, se a preocupação com a economia de Mato Grosso fosse real, a primeira investida se daria taxando o agronegócio e grandes empresários que lucram com o suor, sangue e morte de nossa população.

A saída que nos resta nessa conjuntura de morte e precarização da vida

Temos clareza que não está fácil a nossa vida e que não será da noite para o dia que as coisas melhorarão, mas devemos retomar a força da resistência e rebeldia para a organização e luta das/os trabalhadoras/es contra toda essa política de morte que os governantes e patrões têm nos empurrado a vivenciar. Já que nos obrigam a trabalhar e correr riscos de vida em plena pandemia acelerada, sem nenhuma possibilidade de sobrevivência digna; é urgente que também tomemos a ação direta como ferramenta primordial de combate contra toda essa injustiça e política de morte. Se nos impõe trabalhar normalmente em pleno colapso, que tenhamos força para tomar as ruas e reivindicar Vida Digna: quarentena pela vida, greve geral pela vida, auxílio emergencial para todas e todos que sofrem com a precarização do trabalho e desemprego e com valor digno, redução dos altos preços nos alimentos/medicação/luz/água/gás/etc., testagem em massa para toda população, fim dos despejos nas ocupações de casas abandonadas e terras improdutivas ou sem real função social, taxação do agronegócio e das grandes fortunas, encerramento dos trabalhos presenciais nas escolas e demais repartições públicas (trabalho essencial não pode ser relativizado para atender desejo de patrões), VACINAÇÃO EM MASSA!

É pela força popular, ação direta organizada contra os inimigos de classe que podemos avançar na reconstrução de vetor social forte para a revolução social.

DESEMPREGO E PANELA VAZIA, É REVOLTA NA PERIFERIA!

ANARQUISMO ORGANIZADO, PELA CONSTRUÇÃO DO SOCIALISMO LIBERTÁRIO!

LUTAR, CRIAR… PODER POPULAR!

Rusga Libertária – 15 anos na construção do Anarquismo Organizado em Mato Grosso




Fonte: Cabanarquista.org