Março 26, 2022
Do Colectivo Libertario Evora
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No dia 4 de março, a “União Russa de Reitores” emitiu um apelo a apoiar a guerra contra a Ucrânia. Justificando a invasão, os autores da carta reproduziram todos os clichês da propaganda, desde “desnazificação” e “solução sofrida” (como dizem os nazis russos, “a solução final para a questão ucraniana”) até palavras altissonantes sobre como garantir a “segurança” da Rússia. Para se manterem alegadamente no contexto científico, os reitores apelaram ao “poder da razão”, que, presume-se, os leva a juntarem-se ao presidente.

Provavelmente, numa nova Rússia, que não esta, será interessante descobrir exatamente como foram obtidas as assinaturas dos eruditos e das suas esposas, que meios para os influenciar foram usados, como é que foi construído este sistema de fidelidade que transforma o reitor de uma universidade num criado do poder político. No entanto, não importa agora discutir como e porquê essas pessoas abdicaram, elas próprias, do seu direito a terem uma posição. O importante é que essas assinaturas envolvem-nos, a alunos e professores, nos crimes que estão a ser cometidos pelo Estado russo. Os signatários não pediram a nossa opinião, para nós bastava-nos terem-se mantido em silêncio.

As assinaturas têm valor. Podiam não ter existido. Os reitores poderiam ter respondido, referindo-se aos estatutos de suas universidades, que a universidade está fora da política. Se decidissem quebrar a neutralidade poderiam ter organizado um debate aberto e discutido as várias posições possíveis relativamente à “operação especial”.

Mas não fizeram nada disso. Disseram sim à guerra. “Sim” às ações de repressão no nosso país. “Sim” – às demissões de professores dissidentes e à expulsão de estudantes. Eles não nos perguntaram nada, embora os frutos da sua decisão nos atinjam – através do isolamento da educação na Rússia e da crescente arcaização da sociedade russa, onde a ciência livre – e não há outra ciência – , em breve,  será impossível. Mas nós próprios iremos tomar a palavra.

Numa altura em que a expressão “não à guerra” se tornou num crime,  são extremamente escassos os meios para expressar qualquer discordância. Mas eles existem.

Acreditamos que hoje a principal forma de resistência legal dentro das universidades só pode ser uma ampla campanha anti-reitor, exigindo que os reitores retirem a sua assinatura da carta pró-guerra. A Universidade Estatal de Moscovo e a Universidade Humanitária Estatal Russa já lançaram campanhas nas suas universidades. Apelamos a que sejam feitas idênticas exigências nas vossas universidades, que recolham o maior número possível de assinaturas e, que com o apoio dos professores que estão contra, sejam entregues diretamente aos reitores. Eles não poderão continuar a fingir que não existimos.

Não há nenhuma necessidade de escrever sobre “a agressão militar da Rússia”. É preciso insistir em que a decisão dos reitores desacreditam as universidades e atiram-nas para a politização que tanto temem. Que essas assinaturas são um estigma vergonhoso no ensino superior russo. Devemos exigir discussões abertas e a responsabilização dos reitores para com os funcionários e estudantes universitários. Acreditamos que esta é uma forma de resistência segura e eficaz.

Estudantes contra a guerra

aqui

(traduzido tendo como base o google tradutor)




Fonte: Colectivolibertarioevora.wordpress.com