184 visualizações

No dia 16 de junho de 2022, reuniram on-line delegações de trabalhadores do sector aéreo europeu : Espanha, Itália, França e Portugal, pertencentes à Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas. Discutiram na reunião a situação explosiva que caracteriza o sector nesta fase pós-pandémica, entenda-se como fim das restrições e dos confinamentos.

Atendendo ao facto que a pandemia ainda não passou totalmente, com nova onda de contágios e mortes por toda a Europa, o sector aéreo retomou atividade com grande velocidade, mal foram suspensas as restrições, com volume de voos e passageiros transportados que superam os níveis do verão de 2019. Este aumento tem gerado um caos nos principais aeroportos.

São já os milhares de voos cancelados, tanto das principais companhias de bandeira como das low-cost. Outros tantos serão anulados na próxima semana : só a companhia Lufthansa cancelou mais de 5000 voos e este verão o aeroporto de Heathrow impôs um limite máximo de passageiros por dia. Em cada aeroporto registam-se atrasos, cancelamentos, grandes filas e centenas de bagagens extraviados. Com uma forte subida do preço dos bilhetes, agravado com a crise energética.

Tudo isto é o resultado da gestão capitalista da crise pandémica no sector, no qual o único objetivo foi preservar os benefícios das grandes multinacionais, enquanto que para os trabalhadores e trabalhadoras do sector foram apenas reservados por imposição dos apoios e subsídios (erte, lay-off, chômage partiel). Assim mesmo, incidiram os despedimentos, precariedade e uma forte descida de salários, fazendo que o sector se encontrasse desprevenido para a recuperação e retoma dos voos, com mão de obra insuficiente em todos os aeroportos e companhias, com condições de trabalho inaceitáveis quer para os que mantiveram os postos de trabalho, quer para quem quer começar a trabalhar no sector.

Tal falta de condições, levaram a uma situação explosiva com diversas mobilizações em vários aeroportos europeus, também através de iniciativas espontâneas de trabalhadores e trabalhadoras como ocorreu em Amsterdão e Bruxelas. Importantes as greves protagonizadas por companhias low-cost (Ryanair, Easyjet, Vueling, Transavia, etc), com jornadas unitárias de greve (25 de junho, 17 de julho) em Itália, França, Portugal e Bélgica.

A situação do sector aéreo em Itália, França, Espanha e Portugal, reflete a estrutura que se estende a todos os sectores : cortes salariais, aumento de flexibilidade e ataques insuportáveis das condições de trabalho. Também pela degradação das condições climáticas e consequente deterioração do serviço aos passageiros.

Um duro ataque atingiu as companhias Tap e Alitalia, com duras reestruturações impostas pela União Europeia. A companhia portuguesa com cortes salariais até 45% para poder prosseguir, e a empresa Groundforce (Handler do grupo Tap) que foi declarada insolvente. A Alitalia, por sua vez, foi totalmente apagada da história e substituída pela nova microcompanhia Ita Airways com despedimento de 5000 trabalhadores, apesar de uma longa luta direta de Cub Transporti e do Comite Tutti A Bordo.

Em França, Air France continua a beneficiar de financiamento público (7000 Milhões) e do aumento das tarifas dos bilhetes. Estão em curso diversas lutas, no entanto divididas, uma do pessoal de cabine da Transavia (low-cost do grupo Air France), outras de trabalhadores aeroportuários de várias escalas, destacando-se a greve de 1 de julho no aeroporto de Roissy. Em Espanha também se estão a realizar importantes mobilizações de pessoal de cabine das companhias low-cost EasyJet e Ryanair.

No final da reunião, foi proposto organizar um novo encontro online mais amplo e também promover um encontro presencial, com data a definir quanto antes, com intuito de alargar o grupo de discussão e participação do sector aéreo a partir do apoio incondicional a todas as lutas que se têm afirmado nos aeroportos europeus.




Fonte: Laboursolidarity.org