Agosto 16, 2021
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POR Sindicato Geral Autônomo do Rio de Janeiro

Paz entre nós, guerra aos senhores”, mesmo quando vocês ficam ao lado dos senhores?

A FOB-RJ reitera o apoio à  Fla Antifa, FIST, Casa Nem e demais coletivos de mídia independente que foram agredidos pelo PCB nos atos do dia 24 de julho. A descrição dos fatos pela nota da UJC é simplesmente mentirosa e baseada em achismos com base em interpretações no mínimo equivocadas sobre autonomismo e anarquismo. Para começar, os coletivos citados acima e o Bloco Autônomo tinha como objetivo sair da pista lateral da Av. Pres. Vargas na altura da Biblioteca Parque por que 1) estava cheio de carros estacionados na pista lateral e isso 2) possibilitaria maior possibilidade de ação do batalhão de Rondas Especiais e Controle das Multidões (Recom) que acompanhava o Bloco desde o início da manifestação. O mesmo tipo de manobra de mudança de pista já havia ocorrido em atos anteriores, sem ocorrências com as demais organizações presentes nos atos. Os militantes do MEPR seguraram a caminhada para que nos posicionássemos a sua frente e logo atrás do bloco pecebista. Portanto, o argumento de que estaríamos avançando sobre o bloco do PCB é baseado em mentira.

O que era para ser uma mudança de posição para proteção de todos aquelas e aqueles que seguiam conosco na pista central virou um espetáculo de posição policialesca e antirrevolucionária. O que presenciamos foi a falta de camaradagem, a presença de muita truculência, de LGBTIA+fobia e de uma verdadeira linha auxiliar de repressão estatal vindo do PCB. Isso porque quando mal os militantes começaram a se posicionar a frente do MEPR e a atrás do PCB já foram atacados pelos militantes da UJC que agiram como ganguistas com agressão aos membros da Fla Antifa, FIST e Casa Nem que vinham à frente do Bloco Autônomo. Portanto, a construção da versão sobre a responsabilidade de uma suposta proteção do seu bloco é ilusão para justificar uma estética que pretende ser algo próximo a uma autodefesa.

A FOB-RJ faz questão de ressaltar que a versão de que havia tentativa de “furar e desestabilizar” o bloco do PCB é mentirosa, uma tentativa de se eximir dos erros de seus integrantes, que em momento algum buscaram diálogo, agindo de forma truculenta como “donos da rua”, tentando impedir a movimentação de nossas organizações para aquele espaço. Um pingo de visão periférica e análise crítica sobre as condições físicas e de repressão do local ao invés de mera estética de autodefesa teria constatado a movimentação. O discurso de “não pode passar por aqui perto do nosso bloco” como justificativa para o acontecimento só demonstra que a linha da UJC/PCB e de linha auxiliar da repressão, uma vez que a política é tentar isolar autonomistas, anarquistas e comunistas revolucionários. Além disso, procuram nos criminalizar com afirmações de que somos individualistas, irresponsáveis e que utilizam a massa. Pois é justamente este setor que trouxe de volta toda a perspectiva não só da autodefesa para o movimento popular como da Ação Direta. Evidentemente muito tem que se avançar. E temos dado nossa modesta contribuição ao debate. E é ainda mais falso, chega a ser pueril, usar como argumento que a passagem do bloco poderia gerar mais aglomeração, ora, se o objetivo fosse evitar aglomeração, era só deixar nosso bloco seguir.

Esse episódio nos obriga a fazer alguns questionamentos, principalmente nos perguntarmos por que um partido que se diz defensor do ideário comunista poderia considerar a passagem de um bloco formado por militantes LGBTIA+, sem tetos, autonomistas, torcedores antifas, anarquistas, independentes, sindicalistas e socialistas revolucionários como uma ameaça? Também temos que questionar por que esse mesmo partido não considera uma ameaça para toda a manifestação realizar reunião prévia com as formas de repressão e assinar acordo com as mesmas? As respostas para essas e outros questionamentos estão na política colaboracionista praticada pelo PCB e pelos demais partidos eleitorais com a ordem burguesa, patriarcal, LGBTIA+fóbica e racista.

Portanto, repudiamos as agressões aos autonomistas, sem tetos e militantes LGBTIA+ ocorridas pela militância da UJC/PCB. Repudiamos essa forma de atuação do PCB que conscientemente ou não vem atuando como linha auxiliar da repressão estatal, empurrando Fla Antifa, Fist, Casa Nem e Bloco Autônomo na direção do Batalhão de Choque. Por fim, a utilização da frase “Paz entre nós, guerra aos senhores” sem nenhuma autocrítica é mera fraseologia de unidade para romper a unidade. A prática tem demonstrado que as ações da UJC e PCB tem colaborado com  a repressão. Estamos preparados tanto para o diálogo como para nossa proteção e dos camaradas que cerramos nossos ombros. A FOB-RJ reafirma que as ruas do Rio de Janeiro só têm um dono: o povo. E não é a política antipluralista do PCB que irá expulsa-lo de seu lugar.




Fonte: Lutafob.org