Junho 2, 2021
Do Reporter Popular
470 visualizações


Denunciar a elite raivosa, rodear de solidariedade quem defende nossos direitos!

Imagem recebida via Whatsapp

Lutadoras sociais e lideranças sindicais têm sofrido ameaças e perseguições na cidade de Sinop/MT, que fica a 505 km da capital Cuiabá. No dia 26 de maio, os sindicatos de professores da Universidade Federal (UFMT) e da Universidade Estadual (Adunemat), Andes, o coletivo de mulheres “Sinop para elas”, entre outros, publicizaram uma série de denúncias quanto aos números de morte por COVID-19 no Brasil, o descaso do governo federal, bem como o aumento do preço de alimentos e combustível. A ação se fez na linha de campanhas nacionais que têm buscado denunciar as políticas de morte do governo de Bolsonaro, Mourão e Guedes. Como no Brasil todo, diversas cidades de Mato Grosso também se mobilizaram para mostrar que o povo sofre e o governo tem sua responsabilidade nisso.

A partir desse dia, grupos e empresários alinhados à direita e extrema direita iniciaram uma série de agressões e perseguições. Entre elas, diversas ligações à empresa que fez o “aluguel” dos outdoors, ameaçando e tratando com violência verbal funcionárias/os que faziam o atendimento; divulgação de dados e contatos privados de lideranças sindicais e lutadoras em geral; agressões e ameaças em redes sociais. A vereadora Graciele Marques (PT) foi vítima de várias exposições ofensivas e xingamentos dos mais baixos em redes sociais. Além disso, um texto de natureza fundamentalista e com disparos de ameaças foi publicado com o título de “Nota de repúdio”, mas sem nenhuma assinatura – ofensas e ameaças invisíveis. A maior parte das lideranças dos sindicatos que se colocaram nessa campanha é de mulheres; o que tem gerado toda uma pressão misógina e ataques com teor machista – a palavra “vagabunda” é recorrente nas manifestações de ódio.

Nota disparada em grupos da região de Sinop – recebida via Whatsapp

Muitas cidades do interior de Mato Grosso abrigam setores do agronegócio mato-grossense. Tais cidades são constantemente controladas e vigiadas por grupos empresariais que se beneficiaram da terra e dos “incentivos” fiscais dados há décadas e décadas pelos governos do estado. Essa elite raivosa defende toda a política de Bolsonaro, Mourão e Guedes, como um modo de manter seus próprios privilégios dados desde sempre, assim como defendem os tais “valores” conservadores de extrema-direita que cumprem essa mesma manutenção. Desse modo, o ódio tem sido arma para avançarem em uma longa lista de privilégios e benefícios. Afinal, não esqueçamos que Bolsonaro coloca em prática uma série de medidas que entregam as terras e as reservas naturais de Mato Grosso.

Com essa fundamentação, as elites mais raivosas de Mato Grosso têm aumentado os ataques em relação à liberdade de expressão do povo, aos direitos básicos da população e a uma vida mais digna. Sinop é palco de ataques que estão espalhados, também, em outras diversas cidades “governadas” pelo agronegócio – como no Brasil a fora. A cidade já presenciou outras diversas práticas de ódio. Em outubro de 2019, um grafite da ativista Greta Thunberg foi vandalizado como forma de ofensa, antes disso, os próprios vereadores da cidade – representantes do agro e do conservadorismo – já haviam se manifestado de modo ofensivo. Em abril de 2020, o madeireiro Adonias Correia Santana (da região de Tabaporã) agrediu, com um tapa no rosto, um homem que pedia dinheiro em uma das vias de Sinop – cuidando de carros e pedindo algum trocado na busca de sobreviver em meio ao caos inicial da pandemia e a alta do desemprego. Práticas de destruição de materiais que tenham conteúdo social e ameaças têm sido recorrentes. Qualquer projeto que paute a melhoria de vida das mulheres, LGBTQI+, negros e indígenas, ou qualquer melhoria social em geral, é duramente atacado e rechaçado – por vias parlamentares e outras.

A elite raivosa de Sinop, com essas práticas de ódio e intolerância, busca o controle total da cidade, o poder sobre quem pode falar e sobre o que se pode falar. Observamos o uso do poder coronelista para silenciar as vozes críticas e as reinvindicações por direitos básicos ao povo. Essa elite raivosa ocupa cargos de poder, possuem influências diversas, e manipulam a democracia; no fim, buscam o fim de qualquer modo de prática democrática. Não há dúvidas de que essa elite e grupos que a seguem podem fazer o uso da tortura física, do assassinato e da chacina – como já se viu muitas vezes em Mato Grosso. É preocupante o grau de tensão que se está vivendo no interior mato-grossense. Será necessário a unidade de diversas forças políticas, organizações sociais e coletivos inseridos junto ao povo para que se faça a resistência e a proteção daquelas/es que lutam. Todos os olhos voltados para essa realidade! Acima de tudo, será necessária a construção de baixo para cima, popular e auto-organizada para que o povo tome em suas mãos o que é seu.

Toda solidariedade a essas mulheres que lutam para que as pautas do povo não sejam silenciadas. A resistência tem sido árdua, mas Sinop não pode ser a cidade do agronegócio para sempre – assim como nenhuma região de Mato Grosso -, pois nela residem trabalhadoras e trabalhadores que sentem na pele as consequências deste governo genocida e deste sistema capitalista que nos suga a vida. Essas/es trabalhadoras/es também sabem que seus direitos estão sendo subtraídos e suas vozes não podem ser caladas. Sinop não é a cidade de uma elite raivosa, é cidade do povo, que a constrói e a mantém de pé.

Solidariedade e força a todas e todos que fazem a luta do povo!

Autonomia e Luta – MT
Mulheres Resistem MT

Junho de 2021




Fonte: Reporterpopular.com.br