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Sobre a ditadura do proletariado por Errico Malatesta (1919)


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Tradução: Última Barricada / Publicado em: https://ultimabarricada.wordpress.com/

Parte de uma carta de Errico Malatesta a Luigi Fabbri. Publicado primeiro no jornal «Volontà» de Ancona, 16 agosto 1919, e apareceu depois como prefácio no livro de Fabbri Dittatura e Rivoluzione (1921). A carta data de 30 de Julho de 1919, Londres.

Londres, 30 de Julho de 1919

Caríssimo Fabbri,

[…]

Sobre a questão que tanto te preocupa, a da ditadura do proletariado, parece-me que estamos fundamentalmente de acordo.

Me parece que sobre esta questão a opinião dos anarquistas não poderia ser outra, e de fato antes da revolução bolchevista não era outra para ninguém. Anarquia significa não governo, e portanto com maior razão não ditadura, que é governo absoluto sem controle e sem limites constitucionais.

Mas quando estourou a revolução bolchevista parece que os nossos amigos confundiram o que era revolução contra o governo pré-existente com o que era um novo governo que vinha sobrepor-se à revolução para a refrear e dirigir para fins particulares de um partido, e quase quase se declararam eles próprios bolchevistas.

Ora, os bolchevistas são simplesmente marxistas, que permaneceram honestos e consequentemente marxistas, ao contrário dos seus mestres e modelos, os Guesde, os Plekhanov, os Hyndmahn, os Scheideman, os Noske, etc., etc., que acabaram como você sabe. Nós respeitamos a sua sinceridade e admiramos a sua energia, mas como nunca estivemos de acordo com eles no terreno teórico, não saberíamos solidarizar-nos com eles quando da teoria se passa para a prática.

Mas talvez a verdade seja simplesmente esta: que os nossos amigos bolchevizantes pela expressão “ditadura do proletariado” entendem simplesmente o ato revolucionário dos trabalhadores que tomam posse da terra e dos instrumentos de trabalho e procuram constituir uma sociedade e organizar um modo de vida em que não haja lugar para uma classe que explore e oprima os produtores.

Entendida assim, a “ditadura do proletariado” seria o poder efetivo de todos os trabalhadores determinados a demolir a sociedade capitalista, e tornar-se-ia a anarquia tão logo cessasse a resistência reacionária e ninguém mais pretendesse obrigar pela força as massas a obedecer-lhe e a trabalhar para si. E então o nosso dissenso não seria mais do que uma questão de palavras. Ditadura do proletariado significaria ditadura de todos, ou seja, já não seria ditadura, tal como governo de todos já não é governo, no sentido autoritário, histórico e prático da palavra.

Mas os verdadeiros partidários da “ditadura do proletariado” não a entendem assim, e mostram-no bem na Rússia. O proletariado naturalmente entra aqui como entra o povo nos regimes democráticos, isto é, simplesmente para esconder a essência real da coisa. Na realidade trata-se da ditadura de um partido, ou melhor, dos líderes de um partido; e é ditadura propriamente dita, com os seus decretos, as suas sanções penais, os seus agentes executivos e sobretudo a sua força armada, que serve hoje também para defender a revolução dos seus inimigos externos, mas que servirá amanhã para impor aos trabalhadores a vontade dos ditadores, pôr termo à revolução, consolidar os novos interesses que se vão constituindo e defender contra as massas uma nova classe privilegiada.

Também o General Bonaparte serviu para defender a revolução francesa contra a reação europeia, mas em defendê-la ele estrangulou-a. Lenin, Trotsky e companhia são certamente revolucionários sinceros, conforme eles entendem a revolução, e não trairão; mas preparam os quadros do governo que servirão àqueles que virão depois para se aproveitarem da revolução e matá-la. Eles serão as primeiras vítimas do seu método, e com eles, eu temo, cairá a revolução. É a história que se repete: mutatis mutandis, é a ditadura de Robespierre que leva Robespierre à guilhotina e prepara o caminho a Napoleão.

Estas são as minhas ideias gerais sobre as coisas na Rússia. Quanto aos pormenores, as notícias que temos são ainda demasiado variadas e contraditórias para poder arriscar um juízo. Pode também acontecer que muitas coisas que nos parecem más sejam o fruto da situação, e que nas circunstâncias especiais da Rússia não fosse possível fazer diferente do que fizeram. É melhor esperar, tanto mais que aquilo que dissermos não pode ter nenhuma influência sobre o desenvolvimento dos fatos na Rússia, e poderia na Itália ser mal interpretado e dar-nos o ar de fazermos eco às calúnias interessadas da reação.

O importante é o que devemos fazer – mas estejamos sempre lá. Eu estou longe e impossibilitado de fazer a minha parte […]

Errico Malatesta




Fonte: Ielibertarios.wordpress.com
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