Abril 23, 2021
Do Reporter Popular
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Sou ex-funcionária da Infinity, mãe de três filhos, pago aluguel, que está atrasado, porque trabalhei por um contrato de 45 dias. Cada dia que passa fica mais complicado pq a gente não tem dia certo para receber.

Sou mãe solteira e a dificuldade em pagar contas vai desde luz e água até a mulher que cuida dos meus filhos que, aliás, cuidou deles o mês todo para que eu pudesse fazer meu serviço. Falta dinheiro até para a compra dos alimentos pra dentro de casa. O pior é não ter nada concreto, ninguém sabe de nada, não existe previsão e ficamos de mãos atadas e na expectativa que não falte o básico pra dentro de casa.

As contas de água e luz estão vencidas e a resposta é que temos que esperar e um fica empurrando para o outro. Meus filhos não podem esperar por um leite e um pão. Chegar ao ponto do teu filho te dizer: “mãe, não tem banana? não tem nada? Eu com fome”. E você dizer “não, não tem, mas amanhã a mamãe vai receber”. Mas o amanhã passa e, assim, foram três semanas já.

Os três relatos acima são de terceirizadas que prestam serviços para a Prefeitura de Cachoeirinha, na região metropolitana de Porto Alegre, e que continuam sofrendo nas mãos da empresa que contratou elas. A situação é denunciada aqui no Repórter Popular desde 2020, quando as mesmas trabalhadoras passaram dificuldades com outra contratante.

Clique aqui e relembre a luta das terceirizadas para receberem salários e direitos.

Desde o ano passado, as funcionárias terceirizadas que trabalham em setores como limpeza e cozinha na prefeitura e em outros órgãos da administração municipal (secretarias) de Cachoeirinha, estão enfrentando atrasos de salários. Nem todas receberam o 13º de 2020 e o pagamento dos salários, em março, que deveria ter ocorrido no dia 5 (5º dia útil), foi pago apenas no dia 12, uma semana depois — e nem todas receberam. Em abril, o salário era aguardado no dia 8 e, até agora, muitas não viram o dinheiro.

A situação, insustentável, acompanha o fim do contrato da terceirizada Infinity com a prefeitura. Com isso, as trabalhadoras deveriam receber suas rescisões, o que também não ocorreu. Desde o dia 12 deste mês, os valores não foram pagos e, pior, as carteiras de trabalho delas estão com o setor de recursos humanos da empresa, que não devolveu os documentos.

Troca de terceirizadas é recorrente em Cachoeirinha

Não pagar os salários no último mês de contrato, aliás, é uma prática que as terceirizadas contratadas pela Prefeitura de Cachoeirinha têm desde o ano passado, já que de lá para cá, três empresas diferentes prestaram esse tipo de serviço, sempre com os mesmos problemas. Além disso, para pressionar as terceirizadas a não denunciarem ou buscarem seus direitos, elas ficam ameaçadas de não serem admitidas na empresa que assume posteriormente.




Fonte: Reporterpopular.com.br