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   Pouco sabemos dos nossos vizinhos negros americanos – os haitianos – e as constantes opressões que as forças imperialistas exerceram e ainda exercem sobre eles, em especial a França e a República Dominicana.

   A ilha, que outrora fora dividida em Saint-Domingues (futuro Haiti) e Santo Domingo (futura República Dominicana) pelos franceses e espanhóis, tiveram diferentes condutas de colonização, o que acarretou em diferentes caminhos para as duas regiões.

ariedade ao povo negro do haiti 1

   A Espanha acabou por levar poucos escravos para Santo Domingo, pois se concentraram economicamente em explorar o ouro de regiões como o México e o Peru. Depois de diversos massacres de povos originários, a região acabou por se estabilizar depois de um tempo, com espanhóis se integrando com indígenas, incluindo casamentos. Isso resultou em uma população menor, miscigenada, mais estável e com uma estrutura política sólida.

  Já a França realmente pretendia explorar Saint-Domingues apenas como um foco de produção econômica, para escoar riquezas para a metrópole, e para isso encheu o território de escravos para cultivar monoculturas inteiras de cana de açúcar. Essa exploração constante tanto do solo quanto dessas pessoas provocou a revolução da população negra contra os escravocratas.

  Se falamos de resistência negra antiescravista, é absurdo não citarmos o Haiti, onde pela primeira vez a população negra escravizada se rebelou e proclamou independência dos imperialistas.

solidariedade ao povo negro do haiti 2

   A partir de 1791 até 1804 acontece a revolução do Haiti e este se torna a primeira república negra independente no mundo – mas, como é de esperar, o mundo inteiro o isolou porque tinham medo que isso incitasse outras revoltas negras. Não só isso, a monocultura incessante devastou o solo, em um ecocídio completo. Um solo infértil, que coloca os haitianos em uma situação ainda mais vulnerável. Podemos ver o estrago que a monocultura fez nos biomas do Haiti apenas vendo a linha de fronteira a linha de fronteira entre o Haiti (esquerda) e a República Dominicana (direita):

solidariedade ao povo negro do haiti 3

   Por mais absurdo que soe, a França ainda exigiu que o Haiti pagasse uma dívida para com eles por 30 anos, e foi o que aconteceu.

   Para piorar, os haitianos ainda sofrem um sistema opressivo por parte da República Dominicana, seu principal parceiro de comércios, no qual obviamente o Haiti sempre sai perdendo. A República Dominicana não só possui ainda a fertilidade e biodiversidade em suas terras, como se desenvolveu com muito mais privilégios e vê o Haiti não como um parceiro de negócios, mas como uma nação inferior para se tirar vantagem. O racismo é descarado e há diversas violações aos direitos humanos, deportações ilegítimas, agressões e injustiças contra os haitianos, todos os dias.

   Se nos atentamos tanto para o Black Lives Matters nos Estados Unidos devemos ter a coerência de prestar solidariedade para com os haitianos, nossos longínquos vizinhos americanos, e que se encontram em condições terrivelmente insalubres – e não só resistiram bravamente à colonização como ainda resistem, sobrevivendo a um sistema colonialista e racista, dia após dia.

   Este texto tem, por fim, não só prestar solidariedade a resistência negra haitiana, que resistiu não apenas no passado mas resiste agora simplesmente por sobreviver a cada dia dentro desse sistema perverso, como demonstrar nossa revolta com as condições que as quais a população haitiana é submetida.

   Estes são os dados da Embaixada do Haiti em Brasília, onde é possível entrar em contato para que se deem coordenadas a princípio seguras de doação e mais informações sobre:

Embaixada do Haiti em Brasília
secretariat@ambassadehaitibresil.org 

SHIS QI 15, Chácara 27
CEP 71600-750 – Brasilia – DF
Tel: +55 (61) 3248-6860 / 1337

Fonte: Vox – How Haiti and the DR became two worlds

https://www.youtube.com/watch?v=4WvKeYuwifc




Fonte: Fobsp.noblogs.org