Fevereiro 25, 2022
Do Colectivo Libertario Evora
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Diante da invasão russa, solidariedade internacional!

Stop à Guerra!

Nesta manhã de 24 de fevereiro de 2022, o exército de Vladimir Putin invadiu a Ucrânia através da Bielorrússia, Crimeia e Donbass. Esta invasão visa directamente Kiev, muito perto da fronteira bielorrussa. Várias cidades foram atingidas por mísseis, incluindo a capital. Por sua vez, o presidente ucraniano Volodymyr Zelinsky promete que “a Ucrânia se defenderá e vencerá”.

Esta situação era, infelizmente, previsível. A Rússia já mostrou asua ambição imperialista, nomeadamente na Geórgia em 2008, no Médio Oriente e em África mais recentemente. Na Ucrânia, após o levantamento da Praça Maidan em Kiev, em 2014 (que derrubou o presidente pró-russo Viktor Yanukovych), Putin anexou a Crimeia e ajudou os separatistas pró-russos do Donbass no leste (as autoproclamadas “Repúblicas Populares” de Luhansk e Donetsk) .

Num “apelo ao povo” transmitido pela televisão a 21 de fevereiro, Putin disse: “Estamos a ocupar uma parte de de Donbass, e se a Ucrânia responder (…), ocuparemos ainda mais “, tendo nas fronteiras 190.000 soldados prontos para o combate.

Todos estes soldados posicionados na fronteira russo-ucraniana, assim como na Bielorrússia, não estavam lá para ocuparem apenas a região de Donbass uma vez que a sua intenção era controlar  toda, ou parte da Ucrânia, que seria para ele uma região do “Império Russo”.

A Ucrânia está presa numa armadilha: por um lado, os seus recursos são cobiçados para fortalecer o regime do Kremlin, enfraquecido pela crise econômica e cuja autoridade foi minada durante a pandemia, por outro, a NATO está a tentar atraí-la para o seu redil.

Em várias regiões do mundo, as rivalidades imperialistas estão a fazer aumentar os conflitos armados, dos quais as populações são as vítimas.

Os anarquistas sempre lutaram contra o nacionalismo e o capitalismo. que transporta dentro de si “a guerra como uma nuvem carrega uma tempestade”, reforçando a militarização e o autoritarismo dos Estados, enquanto a globalização neoliberal se gabava de trazer a democracia e a paz !

Este parece ser apenas o início de vários anos de guerras ou tensões entre os países mais ricos, até aqui poupados pela exportação dos seus conflitos para outras zonas. O objetivo é controlar os recursos naturais, que começam a escassear, criando explosões nacionalistas nostálgicas dos antigos “impérios”, uma visão glorificada de um passado fantasioso, que ignora milhões de vítimas inocentes e permite justificar ideologicamente essas guerras junto das suas populações. O aumento dos orçamentos militares em todo o mundo também é uma realidade cheia de significado.

A nossa luta para construir um mundo baseado na solidariedade, na ajuda mútua e no internacionalismo é mais necessária do que nunca.

Sobre a situação na Ucrânia, concordamos com o apelo de nossos camaradas russos para agir onde for possível, segundo as possibilidades de cada um: “Não à guerra guerra entre os povos! Não à paz entre classes! » https://fr.crimethinc.com/2022/02/24/contra-as-anexacoes-e-agressoes-imperialistas-uma-declaracao-de-anarquistas-russos-contra-a-agressao-russa-na-ucrania

Apelamos também para que, em todo o mundo, se lute contra o capitalismo, o nacionalismo, o imperialismo, bem como contra o exército (e o SNU, na França) que sempre nos empurram para novas guerras.

Estamos solidários com os nossos camaradas na região, que decidiram fugir ou lutar nas milícias de autodefesa ucranianas, embora saibamos que as forças de extrema-direita da ideologia fascista e nazista (mas em grande minoria, o que não agrada a Putin ) também operam lá desde 2014.

O braço de ferro de Putin sobre a Ucrânia significaria a destruição do movimento anarquista nesta região, como aconteceu especialmente no leste da Rússia nos últimos anos: tortura, prisão, execuções seria o futuro anunciado.

Como sempre, são os mais pobres e precários que sofrerão as consequências desta guerra, enquanto os ricos vão reforçar o seu poder e os seus lucros, principalmente no sector militar.

Mesmo sendo pacifistas e contrários a qualquer Estado, seja ele qual for, entendemos a necessidade de lutar pela sobrevivência e resistir à opressão.

Apelamos também à deserção em massa de todos os quartéis militares, em todo o mundo!

Somos internacionalistas e pacifistas, a solidariedade é nossa arma!

Federação Anarquista (Fancófona),

24 de fevereiro de 2022




Fonte: Colectivolibertarioevora.wordpress.com