Maio 7, 2022
Do FOB Brasil
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Por Sindicato Geral Antônomo do Rio de Janeiro/SIGA-RJ

No dia 6 de Maio de 2021 as forças policiais do estado do Rio de Janeiro promoveram a maior chacina da história da capital fluminense, com a execução de 28 moradores da favela do Jacarezinho, localizada na Zona Norte.

  1. História do Jacarezinho, do quilombo e da resistência contra a ditadura

A favela do Jacarezinho, como muitas outras, tem suas origens em quilombos no período escravocrata. Na década de 1930 a região passa por um processo de industrialização, além das fábricas Concórdia e a Fábrica Unida de Tecidos, novas indústrias foram instaladas: a Cruzeiro, a General Eletric e a Cisper. No início da década de 1960 tem um novo crescimento industrial, com programa do Complexo Industrial do Jacaré. 
Durante a Ditadura Empresarial-Militar de 1964, a favela do Jacarezinho recebeu o apelido de “Moscouzinho”, uma fez que a comunidade tinha forte presença de militantes e organizações políticas de resistência ao regime ditatorial. 
No chamado período da “redemocratização”, na década de 1980, além de uma forte Associação de Moradores, a comunidade tinha muitos sindicatos atuantes, promovendo debates políticos e reinvindicações por melhores salários e condições de vida. 

Ato no Plácio Guanabara, 16 de fevereiro de 2022. Foto de @condensdos.da.terra

2. Neoliberalismo e o Terrorismo de Estado 

A década de 1990 é o marco do avanço das políticas neoliberais. Muitas empresas fecharam e a região da favela do Jacarezinho inicia um processo de desindustrialização. Por outro lado, o período neoliberal também se caracteriza pelo aumento da violência do Estado contra o povo preto, pobre e morador das favelas. Foi em 1992 que o governo Collor de Mello promoveu a ocupação das ruas do Rio de Janeiro pelas forças armadas. Em 1994, já no governo Itamar Franco, é realizada o Operação Rio, colocando mais militares e tanques de guerra cercando as favelas. 
As políticas neoliberais e as ações de repressão com o emprego das Forças Armadas coincidem com o avanço do Terrorismo do Estado promovendo o genocídio do povo preto, pobre e favelado a partir das execuções sumárias, desapacecimentos e chacinas. 
No ano de 1990 ocorreu a Chacina de Acari, 11 jovens foram assassinados. Em 1993 a Chacina de Vigário Geral, na Zona Norte do Rio, vitimou 21 moradores da comunidade. No mesmo ano ocorreu a Chacina da Candelaria, quando 8 crianças em situação de rua foram executadas.  Em 1998 4 jovens foram executados por policiais que faziam trabalho de segurança, episódio conhecido como Chancia do Maracanã. Em 2005 ocorreu a  Chacina da Baixada Fluminense, a maior da história com 30 mortos. Essas chacinas foram promovidas por grupos de extermínio formados por policiais e militares. 
A partir da década de 2000, as chacinas no Rio de Janeiro deixam de ser uma prática predominante dos grupos de extermínio e são incorporadas definitivamente nas operações das forças policiais e militares do Estado. 
Durante os jogos Pan Americanos de 2007, a Força Nacional, fundada no governo Lula, executou 19 moradores do Complexo do Alemão. No contexto dos protestos populares de 2013, uma operação do BOPE executou 10 moradores da favela da Maré. No dia 08 de fevereiro de 2019, 13 jovens foram assassinados no Morro do Fallet-Fogueteiro numa operação conjunta do BOPE com o Batalhão de Choque da Polícia Militar.

A Chacina do Jacarezinho 
O governador Claudio Castro tem nas políticas terroristas contra o povo preto, pobre e favelado sua principal plataforma para a reeleição. Por isso, mesmo com a Justiça tendo proibido operações policiais nas comunidades durante a pandemia, o governo estadual deflagrou a operação policial “Exceptis” da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da polícia civil. O resultado foi a maior chacina da Cidade do Rio de Janeiro, com 28 moradores executados. 
Entre as vítimas da chacina estavam: Jonas do Carmo Santos, 31 anos, ajudante de pedreiro, Jonathan Araújo da Silva, 18 anos, entregador de mercado, Francisco Fabio Dias Araújo Chaves, 25 anos, entregador de aplicativos, Marlon Santana de Araújo, 32 anos, mototaxista. As famílias e as testemunhas denunciam as execuções. 
Apesar dos protestos, o governo Castro continuou, e continua, com sua política genocida. Em 22 de novembro,  na comunidade do Salgueiro, em São Gonçalo, na região metropolitana, uma operação da Polícia Militar e do BOPE executaram 10 moradores e jogaram seus corpos num mangue. 
Exigimos o fim do genocídio do povo preto! 
As classes burguesas e seu Estado Racista promovem uma política terrorista de extermínio do povo preto, pobre e favelado. As forças repressivas, policiais, militares e milícias constituem o braço armado das classes dominantes, instrumento de dominação e opressão sobre o povo. 
Somente a organização da autodefesa popular será capaz de pôr fim ao genocídio em curso. Os nossos territórios precisam estar sob o controle de comitês populares capazes de impedir a livre ação das forças repressivas do Estado. 
A luta organizada entre os movimentos populares comunitários, estudantes e sindicatos têm a tarefa de organizar uma Greve Geral Negra Contra o Genocídio!

Vidas negras importam!

Pela Autodefesa Popular!

Construir a Greve Geral Negra Contra o Genocídio!




Fonte: Lutafob.org