Novembro 16, 2020
Do Anarcha-RadFem Br
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Eu (a entidade por trás da página, do Instagram e deste Medium) tenho uma amiga que é mestranda em Biologia em uma universidade federal. A moça (fêmea humana adulta ipso facto), em um intercâmbio para a Alemanha, conheceu um cidadão de lá, se casaram e ela terminou grávida.

Como bióloga ela começou a escrever, em seu Instagram pessoal (fechado somente para amiguxs), sobre a experiência de ser mãe. Mês a mês ela foi descrevendo sobre as mudanças que ela teve e percebeu em relação a seu corpo. Até que o dia em que o bebê resolveu nascer e veio por parto normal. Ela contratou uma doula e foi tudo ótimo. Antes do coronga chegar em terras bolsonaristas, eu consegui ver o bebê, levar uns presentes e jogar conversa fora. Ela estava toda feliz com o bebê, o marido tinha vindo para o Brasil para esperar o bebê chegar… sussa.

Até que ela cometeu o CRASSO erro de falar sobre o pós parto. Sobre ocitocina, sobre como a progesterona e o estrogênio atuam no corpo e… a foto da placenta, que como boa good vibes, ela guardou (não sei como?) e depois plantaram num vaso.

Como eu disse a ela que tinha sido exposta aqui na cidade por “transfóbica”, ela veio até mim chorando, comentando que os colegas do mestrado de Biologia e amigos desses cidadãos começaram a expô-la no grupo de amigos dizendo que “os posts eram claras ameaças e incitavam profundos e sérios gatilhos contra ‘os’ ‘mulheres trans’”. Não conheço esse pessoal, mas tentei acalma-la porque ela estava recebendo ataques e muitos posts, que até então eram de uma MÃE MULHER compartilhando sua vivência como grávida, foram vistos como “ameaças” a homens sensíveis.

Ela chorou, disse que nada daquilo que ela publicou em seu perfil PRIVADO era ataque a ninguém e que ela só queria fazer de sua conta como um “álbum de fotos” e um diário, além do que ela tinha em físico, com fotos e textos que ela tinha escrito sobre a experiência.

Depois de tudo, ela resolveu realmente desativar sua conta em todas as redes sociais para não ficar com a marca da besta na testa: “bióloga transfóbica”.

Para quem não sabe (não sou da área, mas no meu parco conhecimento me meto a ser xeroque rolmes), a placenta é responsável por fornecer nutrição ao bebê, enquanto ele cresce no ventre da mulher.

Placenta é algo ESTRITO da fêmea. Se existirem biólogos (sei que tem um ❤) e quiserem falar a respeito, ótimo. Agradeço. Porque vai que existe algum macho no reino universal que tenha capacidade de ter… placenta (?).

Se tudo em nossos corpos remete a essa ideia absurda de transfobia (porque até o pobre do clítoris, que a maioria dozomi não sabe onde está [Anonymous divulgará, stay tunned!] rodou nessa queimação transfóbica), sobre que baralhas podemos falar então?

Gravidez será considerada também como ato transfóbico só porque homens (sexo masculino) não engravidam?

Tempos atrás tinha conversado com uma compa, sobre quais eram as perspectivas dela daqui pra frente. Eu fui longe e disse que estamos caminhando a um extermínio de mulheres. Ela foi mais cauta e disse que estamos indo cegamente a um silenciamento para servirmos como “aias”.

Afinal, quem comete a temida “transfobia”? Mulheres? RadifemisOu homens que espancam travestis nas ruas, proxenetas que abusam de meninos que são gays e os obrigam a virarem travestis?

Falar da placenta põe em risco a vida de um homem?

Placenta Gatilho



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Fonte: Radfembr.noblogs.org