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Corem! Arautos do autoritarismo, adeptos de uma Arte Suprema:

Eis algumas palavras extraídas da publicação A Jovem Europa (Vol. 6, de Novembro de 1942), da Juventude Académica da Europa, com sede em Munique (e com representações em Lisboa), visada pela Censura e composta e impressa na Sociedade Astória, sita no Regueirão dos Anjos nº 68.

Encimada por uma «Mensagem à Europa» roubada de Friederich Nietzsche, a edição abre com o «discurso proferido pelo Dr. Goebbels por ocasião da abertura da Exposição de Arte Alemã de 1942», donde citamos três passagens.

«A Alemanha é um país de cultura e, como país de cultura, é um dos primeiros do mundo. Para nós, a Arte não é qualquer coisa que aprendemos. Ela faz parte integrante das manifestações naturais da vida do nosso povo. Nós obtemo-la da força da origem da nossa nação. Como tudo o que é inato, também a Arte não pode ser posta de parte para, mais tarde, ser de novo retomada. Ela é o nosso amparo e a nossa força moral e espiritual, tanto durante o período de provação, como depois do êxito.»

«A Grande Exposição de Arte Alemã, que hoje se inaugura, é a sexta que se realiza na Casa da Arte Alemã e a terceira no decorrer desta guerra. Durante os três anos que passaram ela não foi sujeita a restrição alguma. São 680 artistas que, desta vez, expõem 1.254 obras, pertencendo 606 à pintura, 243 às artes gráficas e 398 às artes plásticas; cinco tapeçarias e dois debuxos de tapeçarias. Em exposição à parte expõe o pintor Leipold. São particularmente notáveis os pintores Lipus, Eichhorst e Buchmeim, que expõem aspectos da guerra. Igualmente são dignos da nossa maior admiração as obras do pintor Hans Best, falecido recentemente. É de esperar que a afluência de visitantes a esta exposição ultrapasse largamente a dos anos transactos. O número de visitantes tem aumentado progressivamente, principalmente durante o decorrer da guerra. No ano de 1941 esse número foi de 705.000, isto é, mais 100.000 do que no ano anterior. A Grande Exposição de Arte Alemã de 1942 terá, sem dúvida, uma afluência de visitantes ainda mais elevada.»

«Hoje, só desejo ardentemente uma coisa: poder um dia, quando a paz tiver sido restabelecida, prostrar-me, juntamente convosco, aos pés do Führer no momento em que ele vier inaugurar a maior festa da Arte Alemã.»

Isto!!! foi então publicado, e decerto lido, em Portugal e mais onze países da Europa. E os editores pediam a colaboração de «todos os intelectuais, investigadores, estudantes das Faculdades, académicos, filósofos, médicos e professores de ciências naturais, filólogos, juristas e teólogos, conhecedores da vida do Estado e povo, geopolíticos e escritores, técnicos e industriais, bem como de todos os artistas europeus.» E, de facto, neste número aparecem textos assinados por Ortega y Gasset ou por Max Planck. Também apropriações ilegítimas?

(transcrito por JF)




Fonte: Aideiablog.wordpress.com