Março 10, 2021
Do Jornal Mapa
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A luta das populações locais contra a reabertura e ampliação da mina de Touro, de que demos notícia na edição de Abril de 2019 do Jornal MAPA, deu resultados. De facto, no dia 2 de Março, a Xunta da Galiza comunicou o seu não à aprovação do projecto da empresa Cobre San Rafael. Uma vitória muito importante para as populações locais, mas que ainda não significa o fim da luta.

Em Maio de 2017, a empresa Cobre San Rafael 1 apresentou à Xunta da Galiza, mais concretamente à sua Consellería de Industria, o seu projecto de reabertura e ampliação da Mina de Touro.

Apesar de todas as promessas de crescimento local e emprego, a população já tinha a experiência do que é ter uma mina à porta de casa. Uma mina que, entre os inícios dos anos 70 e meados dos 80, mudou a vida das aldeias, sim, mas que, no fim, apenas deixou degradação do território e emigração. Assim, o projecto para a reabertura da mina encontrou uma forte oposição popular desde o início, originando quase de imediato a criação de algumas plataformas de contestação.

Mais de um ano depois, já 2018 ia avançado, começaram os processos de avaliação ambiental, que acabaram em Janeiro de 2020 com um parecer negativo da Consellería de Medio Ambiente, onde se apontava que «não estava garantida a sustentabilidade ambiental». Havia relatórios técnicos «desfavoráveis» e problemas «intransponíveis» no que diz respeito ao património natural. Entre outras questões, este parecer referia os efeitos do projecto mineiro na «qualidade das águas» dos municípios de O Pino e Touro, ao mesmo tempo que alertava para que, «em caso de desastre», não seria possível garantir a protecção da vizinha Zona Especial de Conservação.

Agora, no passado dia 2 de Março, uma resolução da Dirección Xeral de Planificación Enerxética e Recursos Naturais dá continuidade a este estudo de impacto ambiental e põe fim ao projecto da Cobre San Rafael. Para além desta resolução, a Xunta recusa ainda a aprovação do plano de reestruturação apresentado para esta actividade mineira, uma vez, que, entre outros motivos, «corresponde a um projecto recusado».

A luta não acaba aqui

A Mina de Touro não se ampliará. Mas, no estado em que está, continua a provocar a contaminação dos ribeiros que desaguam no Rio Ulla. No entanto, «isto já não pára até que se recupere o espaço e se limpem os regatos e os rios. Vai ser difícil a gente de Touro e de O Pino esquecer esta luta. De início, viamo-nos como David contra Golias. Mas foram saindo tantas coisas que antes se calavam… a sensibilidade é muito grande. A consciência veio para ficar e, para além disso, já sabemos lutar», afirma Isabel, uma das portas-voz da plataforma Mina Touro O Pino Non.

De facto, esta luta apenas saiu vitoriosa pela tenacidade da resposta social. Uma mobilização que se iniciou em 2017 e que, desde então, sempre se manteve extraordinariamente activa. Sem esta capacidade, há muitos processos semelhantes – Santa Comba, San Fins, Monte Neme, Serra Suído, O Iribio, Terra Chá, Mesía, Frades – onde o caminho não será necessariamente o mesmo e onde se corre o risco de aprovação de projectos mineiros. Nas palavras de Fina Pose, habitante de Corcoesto, citada pelo site adiante.gal: «aprendi que há que lutar nesta vida para conservar o que é teu, aprendi que não podemos esperar nada dos nossos governantes… é uma pena, mas é assim. Tens de o conquistar pela luta». Ou ainda, no mesmo site, a voz doutro morador, Paco García: «aprendi que tem de ser a gente da zona a organizar-se. São o motor da luta. Nenhuma organização unilateral tem capacidade para paralisar um projecto desta magnitude».




Fonte: Jornalmapa.pt