Novembro 22, 2020
Do El Sur
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por Ben Norton ao The Grayzone

Na Wikipédia, um pequeno grupo de defensores que advogam a favor de mudanças de regime e partidários da direita opositora venezuelana bloquearam meios de comunicação independentes como o The Grayzone por motivos políticos explícitos, violando as diretrizes da enciclopédia.

Essa é a parte 1 de uma série de reportagens investigativas feitas pelo The Grayzone sobre os problemas sistêmicos com a Wikipédia. A parte 2 está disponível em inglês aqui: “Meet Wikipedia’s Ayn Rand-loving founder and Wikimedia Foundation’s regime-change operative CEO

A gigante enciclopédia da internet, Wikipédia, está censurando sites de notícias independentes, adicionando eles a uma lista de bloqueio (blacklist) oficial de meios de comunicação supostamente ultrapassados. 

O The Grayzone está entre os sites de notícias visados pela campanha de censura. Os outros são meios de comunicação de esquerda e anti-imperialistas, como MintPress News e a transmissora de notícias latino-americana TeleSUR, acompanhados de vários proeminentes sites de política de direita, incluindo o Daily Caller.

A campanha para incluir o The Grayzone à lista de bloqueio foi iniciada por editores da Wikipédia que se identificam como venezuelanos e abertamente apoiam a direita do país, a oposição sustentada pelos EUA. Esses usuários monitoram obsessivamente artigos relacionados à Venezuela, forçando agressivamente uma interpretação de “mudança de regime” (regime-change) e trabalhando para eliminar qualquer informação ou opinião que interfira em suas agendas. 

Esse complô online de apoiadores da oposição venezuelana tem sido acompanhado por uma variedade de neoconservadores que gastam inúmeras horas por dia, todo dia da semana, inundando os artigos da Wikipédia com pontos defendendo a intervenção ocidental e demonizando os “inimigos oficiais” da OTAN.

Ao mesmo tempo, esse pequeno punhado de editores da Wikipédia teve sucesso em banir a Wikipédia de citar o The Grayzone, alegando falsamente que o site publica informações não confiáveis, falsas ou fabricadas. De fato, em mais de quatro anos de existência, incluindo os dois primeiros anos em que o site passou hospedado no AlterNet (cujo uso não é proibido na Wikipédia), The Grayzone nunca teve de fazer uma grande correção ou se retratar em alguma história.

Ainda mais absurdamente, os editores por detrás da campanha para inserir o The Garyzone em uma lista de bloqueio deixaram claro em suas discussões públicas que estavam sendo motivados a censurar as postagens do The Grayzone baseados na perspectiva política de seus jornalistas – e não com base em alguma mentira ou distorção que apareceu no site. 

O editor da Wikipédia que esteve coordenando a enquete oficial para censurar o The Grayzone é um grande apoiador da oposição venezuelana. Essa figura também iniciou e moderou as enquetes que com sucesso inseriram TeleSUR e Venezuelanalysis em uma lista de bloqueio, que estão entre as poucas fontes de notícias que desafiam a hegemônica perspectiva anti-chavista promovida pela mídia ocidental mainstream.

A Wikipédia impôs numerosas “diretrizes” contra esse tipo de edição partidária, o que viola descaradamente o mandatório princípio fundador da plataforma de um “ponto de vista neutro”.

Mas o site, e a Fundação Wikimedia que gere ele, não tomou nenhuma providência contra esse grupo de editores politicamente motivados que marcaram o The Grayzone. No lugar disso, deixaram as rédeas soltas para uma flagrante sabotagem contra o ostensivo compromisso da enciclopédia com a neutralidade, e para manter o público longe de informações críticas que estão em conflito com a agenda de Washington. 

O elenco de editores tentando censurar o The Grayzone percorre uma gama que vai desde teóricos da conspiração sobre o Russiangate a anarco-neoconservadores, e de lobistas para mudança de regime aos membros da elite venezuelana – basicamente qualquer um que esteja ameaçado pelo jornalismo que desafia o consenso de Washington. Sua capacidade para dominar a Wikipédia é sintomática de uma crise muito maior que fundamentalmente corrompeu o site e rasgou em pedaços seus princípios declarados.

A enciclopédia online se tornou uma profunda plataforma antidemocrática, dominada por atores apoiados por Estados ocidentais ou promotores de relações-públicas corporativos que são facilmente manipulados por agentes poderosos. E os responsáveis pela enciclopédia são figuras que geralmente representam estes mesmos interesses da elite, ou que estão alinhados com suas políticas de mudança de regime.

Apenas por volta de 3,000 editores são muito ativos na Wikipédia em inglês

 

A Wikipédia é dominada por propagandas patrocinadas pelo Estado e interesses corporativos

A Wikipédia é um dos sites mais populares do mundo, com mais tráfego que a megacorporação Amazon. É de longe a principal fonte de informação para as pessoas ao redor do mundo todo. (A Wikipédia está disponível em muitas línguas diferentes. Esse artigo tem como foco a sua versão inglesa, que é de longe a maior)

Ainda, enquanto o site intitula-se a si mesmo como uma enciclopédia de código aberto que qualquer um pode editar, a realidade é que a plataforma é solidamente controlada por um pequeno grupo de administradores e editores – e fortemente dominada por instituições poderosas que possuem os recursos para mobilizar os usuários a avançar com seus interesses.

Um estudo acadêmico descobriu que, de 2001 a 2010, um impressionante 80 por cento das edições na Wikipédia foram feitas por apenas 1 por cento dos usuários.

De fato, as estatísticas providas pela Wikipédia mostram que apenas 3,000 editores são “muito ativos” no site, o que significa que eles contribuem com mais de 100 edições por mês.

Em outras palavras, um pequeno punhado de editores têm um controle desproporcional sobre o que as pessoas ao redor do mundo leem quando elas pesquisam por alguma coisa online.

E as taxas de retenção de novos editores têm despencado ao longo dos anos.

O gráfico mostra o baixo nível de retenção de editores na Wikipédia de 2004 a 2009
Portanto, a Wikipédia é qualquer coisa menos um intercâmbio democrático e descentralizado de ideias e informações como ela se anuncia.

Ainda mais problemático é o fato de que governos, agências de inteligência e grandes corporações mantêm uma significativa influência sobre a Wikipédia, editando a enciclopédia para empurrar suas agendas, enquanto monitoram e policiam cuidadosamente novas edições.

A CIA, FBI, o Departamento de Polícia de Nova York, Vaticano, e o colosso de combustíveis fosseis BP, para nomear apenas alguns, foram todos descobertos editando diretamente artigos da Wikipédia.

Mas a podridão vai mais fundo. Interesses poderosos, de Estados a corporações, contratam editores da Wikipédia para higienizar artigos sobre eles mesmos. Clientes antigos destes serviços incluem a própria gigante de mídia social Facebook, bem como imensas mídias corporativas como as oligarcas NBC e Koch Brothers.

Realmente, há toda uma indústria caseira de propagandistas com disposição, promotores de relações-públicas, e mercenários digitais que vão avidamente manipular o fácil acesso da população global à informação se você pagar o suficiente.

De modo similar, Naftali Bennet, política israelense de extrema-direita, tem organizado sessões de treinamento para ajudar novos editores da Wikipédia a espalhar propaganda hasbara na enciclopédia. O jornal The Guardian notou que grupos israelenses planejaram “uma competição para encontrar o ‘Melhor Editor Sionista‘, e o prêmio consistia numa viagem de balão sobre Israel.”

Numerosos outros governos ou instituições apoiadas pelo Estado também foram pegos editando cuidadosamente suas imagens na Wikipédia.

Essas práticas de astroturfing são conhecidas há muito tempo. O New York Times publicou um artigo sobre “edição corporativa na Wikipédia” em 2007. E o problema apenas piorou desde então.

A Wikipédia é apenas um “quadro de avisos” para interesses poderosos. E o grupo que faz funcionar isso, a Fundação Wikimedia, expressou bem pouco interesse em combater essa corrupção. Em um reporte de 2007 da Times, o fundador da Wikipédia, Jimmy Wales, disse que, embora desencorajassem conflitos de interesse, “nós não fazemos disso uma regra absoluta”; é apenas uma “orientação”.

Essas orientações da Wikipédia tecnicamente proíbem o conflito de interesses em edições, mas virtualmente nada é feito para parar isso. E a Wikipédia não possuiu nenhum mecanismo substancial para monitorar e acabar com isso.

De fato, simultaneamente também avisa seus editores que eles podem simplesmente “ignorar todas as regras” assegurando-lhes de que “não há regras firmes“. Essa contradição mostra como a enciclopédia pode ter a torta e também comê-la, alegando ser descentralizada, democrática e oposta a vieses políticos e interesses particulares, enquanto ao mesmo tempo está totalmente submergida nesses problemas.

Edições politicamente motivadas feitas por pequenos grupos

O fato de que a vasta maioria das edições da Wikipédia são feitas por um diminuto número de usuários torna mais fácil para pequenos grupos, com tempo e recursos, deixarem o site com um viés político.

A Wikipédia é um dos sites com maior presença de toda a internet nos resultados de motores de busca, de maneira que é virtualmente impossível ficar escondida qualquer coisa que apareça nela. Em motores de busca como o Google, a Wikipédia geralmente é o primeiro resultado de um tópico, muitas vezes acima das próprias páginas principais de um site.

Dessa forma, uma pequena elite de editores têm uma influência massiva sobre a população global, manipulando a opinião pública em detrimento de suas linhas políticas. Pouquíssimas pessoas sabem até que eles existem.

Houve alguma atenção por parte da mídia alternativa, por exemplo, no caso do misterioso editor Philip Cross. Esse solitário usuário gasta horas por dia, virtualmente toda semana, obsessivamente monitorando e editando artigos para difamar jornalistas antiguerra e políticos.

Mas o problema é muito maior que o Philip Cross. Um grande grupo de editores pró-intervenção que defendem operações ocidentais para mudança de regime gastam enormes quantidades de tempo na Wikipédia censurando e distorcendo conteúdos para empurrar suas agendas políticas.

Esses editores não apenas manipulam e monopolizam o fácil acesso do globo à informação; eles possuem até mesmo campanhas para deletar artigos da enciclopédia de numerosos jornalistas de esquerda e figuras da mídia.

O popular apresentador do YouTube, Kyle Kulinski, teve sua página excluída em decorrência da campanha de um grupo de extremistas para mudança de regime. O próprio autor do presente texto, Ben Norton, também teve seu artigo na Wikipédia removido por esse grupo.

Edições politizadas tecnicamente violam o segundo dos cindo pilares da Wikipédia, o qual requer dos editores que se apoiem num “ponto de vista neutro.”

“Todo o conteúdo da enciclopédia deve ser escrito a partir de um ponto de vista neutro (NPOV), o que significa representar de maneira justa, proporcional, e, até onde for possível, sem enviesamento, todos os pontos de vista significativos que foram publicados por fontes confiáveis”, diz o princípio.

A Wikipédia também adotou uma diretriz similar contra a “militância” (advocacy): “o uso da Wikipédia para promover crenças pessoais ou interesses às custas dos objetivos da Wikipédia e das principais políticas de conteúdo, incluindo a da verificabilidade e do ponto de vista neutro.”

Além do mais, ela declara ver como um problema aquilo que é chamado de “conta de propósito único” ou usuários “que mantêm suas edições limitadas a apenas uma reduzida área ou conjunto de artigos, ou cujas edições em muitos artigos parecem ter um propósito comum.”

Mas, na realidade, as diretrizes são ideais ocos que, se não nunca, raramente são aplicados – particularmente quando uma pessoa ou meio de comunicação de esquerda e anti-imperialista está sob ataque. Aliás, a Wikipédia está cheia de editores que mostram um claro viés político, e que usam as edições para atender suas ideologias e interesses políticos.

A plataforma não tem um mecanismo para responsabilizar esses editores e prevenir que isso ocorra. Esses usuários são responsáveis pela maioria das edições em tópicos inteiros, especialmente em questões políticas controversas. E a Wikipédia não tem capacidade para reforçar suas diretrizes.

Nos raros casos em que um editor é banido, ele pode simplesmente criar uma nova conta; e se seu endereço de IP estiver bloqueado, ele pode usar um novo aparelho para fazer as edições.

Esse sistema facilita que alguns usuários coordenem juntos não apenas as edições de artigos para adequar aos seus interesses, mas também para bloquear fontes de notícias que expõem seus delitos.

A campanha para censurar o The Grayzone e outros meios de comunicação independentes é um estudo de caso desse problema, e um claro reflexo da excessiva parcialidade que contradiz um dos principais pilares da Wikipédia.

A lista de bloqueio de meios de comunicação alternativos da Wikipédia

A Wikipédia mantém uma lista oficial de fontes confiáveis, que são as agências de notícias que os editores estão permitidos a citar nos artigos.

Editores e administradores proeminentes, que possuem privilégios especiais não concedidos a usuários médios, debatem quais fontes são consideradas legitimas na enciclopédia. Não há uma supervisão independente para esse processo, que é, na maioria das vezes, monopolizado por um pequeno grupo, que tem mostrado repetidamente um flagrante viés político.

Nessa lista de fontes confiáveis é mantida uma hierarquia de classificação para mensurar quão acurada é uma fonte de notícias. Essas designações têm nome e cor.

Meios de comunicação corporativos mainstream são verdes, que significa “geralmente confiável”. A Associated Press (AP), a Reuters, New York Times, Washington Post, Wall Street Journal, Fox News, CNN, BBC, The Guardian, Bloomberg, The Atlantic, The Daily Beast, BuzzFeed e o The Intercept têm a luz verde de aprovação.

Exemplos de fontes consideradas “geralmente confiáveis” pela Wikipédia, destacadas em verde

Para algumas fontes não há um consenso dos editores quanto a credibilidade delas, então elas se enquadram na categoria amarela. Exemplos dessas fontes são frequentemente aquelas que desempenham um jornalismo gonzo como a VICE, tabloides da espécie do Cosmopolitan e o Daily Mirror, alguns think tanks (“laboratórios de ideias” ou “centro de pensamento”) como o Center for Economic and Policy Research, e alguns sites mais de esquerda como o Democracy Now e CounterPunch.

Contudo, sites de notícias mais independentes são considerados pela Wikipédia como “geralmente não confiáveis”, e são etiquetados com a cor vermelha de rejeição. AlterNet, The Canary e a Eletronic Intifada, por exemplo, são consideradas “fontes partidárias”, e os editores só podem creditá-las se atribuírem as declarações do site no texto do artigo.

Fontes que a Wikipédia considera “geralmente não confiáveis” (cor vermalha), e aquelas que não há  consenso (em amerelo)

Alguns sites de direita, como o The Blaze, Daily Wire e o Quillette também foram classificados com essa designação, junto com o site libertário Zero Hedge.

Mas o nível de censura com que foi marcado o The Grayzone representa um nível inteiramente diferente de supressão: ele faz parte de um pequeno punhado de publicações que foram inteiramente bloqueadas na Wikipédia, que são consideradas “fontes ultrapassadas” (deprecated source) e listadas em vermelho escuro. Essa é a pior designação possível da lista.

Wikipédia está censurando o The Grayzone listando-o como “reprovado”, em vermleho escuro

A censura é produto de uma campanha politizada de pressão por parte de centristas e editores pró-guerra que buscaram silenciar o The Grayzone somente porque detestam suas reportagens e linha editorial. Eles provaram suficientemente serem incapazes de prover qualquer exemplo concreto de inexatidão ou fabricação.

Os hiperpartidários editores que conduziram a campanha (nomeados e detalhados abaixo) justificaram o bloqueio alegando que “há um consenso de que o The Grayzone publica informações falsas ou fabricadas. Alguns editores descrevem o site com um simples blog do Max Blumenthal e questionam sua supervisão editorial.”

Mais uma vez, o The Grayzone nunca foi forçado a corrigir alguma questão ou se retratar por causa de uma história falsa. A acusação é absurda, e não é fornecida nenhuma evidência para apoiá-la. 

Junto a essa lista de bloqueio está também o MintPress News, um site de notícias independente, anti-guerra e de esquerda, também baseado nos EUA.

Esse grupo centrista de editores também preteriu o The Daily Caller, um site de direita que os editores afirmam publicar “notícias falsas ou fabricadas.”

O The Daily Caller, que foi fundado pelo apresentador da Fox News, Tucker Carlson, certamente tem publicado material questionável e editoriais que qualquer progressista acharia extremamente condenável. No entanto, a Wikipédia estranhamente o coloca no mesmo nível do ensandecido site de extrema-direita The Epoch Times, uma rede de propaganda mantida pelo culto chinês Falun Gong; do blogue Gateway Pundit, do Breitbart e até do site supremacista branco VDARE.

De acordo com a Wikipédia, The Grayzone, um site de jornalismo investigativo fundado por um jornalista premiado, não é confiável da mesma forma que estes outros meios de comunicação extremistas.

Ao mesmo tempo, ela dá ao blogue intervencionista pró-OTAN, Bellingcat, uma cor verde como sendo uma fonte com credibilidade da mesma forma que a AP.

A Wikipédia considera o site para mudança de regime Bellingcat, que é financiado pela NED, do governo dos EUA, como uma fonte confiável

Como foi anteriormente reportado aqui no site, Bellingcat é financiado pelo braço do governo dos EUA para mudanças de regime, a National Endowment for Democracy (NED), uma das facetas da CIA criada por Ronald Reagan, e abriga uma equipe de pessoas que advogam por mudanças de regime e que trabalham para organizações ocidentais apoiadas pelo governo, como a Atlantic Council.

O fundador e editor do Bellingcat, Eliot Higgins, um obsecado por videogames que abandou os estudos (college dropout), não tem experiência como jornalista ou conhecimento especializado. Quando o New York Times criticou levemente sua falta de conhecimento, Higgins insistiu que ele era qualificado porque “as horas que ele passou jogando videogames lhe deu, disse ele, a compreensão de que qualquer mistério pode ser desvendado.”

Mas essa turma de editores centristas designaram Bellingcat como uma fonte confiável ao lado dos mais prestigiados jornais, enquanto ao mesmo tempo colocaram numa lista de bloqueio e censuraram o jornalismo investigativo do The Grayzone, um site de notícias fundado e editado por Max Blumenthal, que – diferentemente do Higgis – é um premiado jornalista que publicou furos investigativos em várias publicações mainstream e autor de quatro livros aclamados durante o curso das duas últimas décadas. 

Os editores da Wikipédia também determinaram que o agora extinto site neoconservador, e ferrenhamente a favor de guerras, The Weekly Standard, é uma fonte “geralmente confiável”, no mesmo nível da AFP, por exemplo.

The Weekly Standard, que era gerido por Bill Kristol, o padrinho do neoconservadorismo americano, publicou numerosas mentiras e comprovadamente falsas histórias antes da invasão dos EUA ao Iraque, em 2003, tentando defender a guerra em nome da administração de George W. Bush.

A Wikipédia considera o site neoconservador The Weekly Standard como sendo uma fonte confiável

Portanto, sites neoconservadores que publicaram mentiras conspiratórias sobre inexistentes armas de destruição em massa (ADM) são considerados fontes confiáveis, enquanto bloqueiam o The Grayzone aparentemente porque ele publica reportagens verdadeiras que minam estas tentativas de mudança de regime.

As normas da Wikipédia também mostram claramente como são aplicados critérios diferentes para as mídias apoiadas pelo Estado. As que são dirigidas por governos ocidentais como a BBC, ou as que são amigáveis com esses governos, como a Al Jazeera, do Qatar, recebem a cor verde de aprovação, de “geralmente confiáveis”, no mesmo nível da Reuters.

A Wikipédia dá ao Al Jazeera, que tem por trás o Estado do Qatar, o selo de aprovação de “geralmente confiável”

Porém, as agências de notícias por trás de governos que são alvos dos EUA para mudança de regime, como a TeleSUR, RT, HispanTV e Press TV, são todas consideradas fontes ultrapassadas e recebem a cor vermelho-escuro de não confiáveis.

A Wikipédia lista a TeleSUR como sendo uma fonte “ultrapassada”

A Wikipédia também demonizou a organização que faz publicações a favor da transparência, WikiLeaks, classificando-a oficialmente como “geralmente não confiável”, marcando isso com a temida cor vermelha, e banindo o uso de seus documentos como fontes nos artigos.

A Wikipédia afirma que “existem dúvidas a respeito destes documentos serem genuínos ou adulterados”. Na verdade, WikiLeaks possui um histórico de 100 por cento em relação a precisão de seus documentos (track record). Isso é inquestionável para qualquer fonte de confiança.

Wikipédia não considera o WikiLeaks como sendo uma fonte confiável, a despeito do WikiLeaks ter um histórico de 100 por cento de precisão

Campanha para bloquear o The Grayzone iniciada por partidário da direita opositora venezuelana

Todas as edições da Wikipédia são listadas publicamente. Cada artigo inclui um acessível “histórico de revisão” das páginas, que mostra todos os materiais que foram adicionados ou removidos, quando e por quais usuários – embora a vasta maioria dos editores seja anônima. 

Isso torna mais fácil rastrear quem exatamente está inserindo uma linha política à plataforma, e como eles estão abusando da enciclopédia para avançar seus interesses partidários, descaradamente violando as diretrizes da Wikipédia que exigem um ponto de vista neutro e que rejeitam advocacia a favor de uma causa e as contas com propósito único.

Uma investigação dos editores por trás da campanha de bloqueio do The Grayzone claramente mostra que a maioria deles são usuários politicamente motivados que exploram a Wikipédia para avançar suas agendas sectárias. 

De fato, o editor que iniciou a enquete oficial para censurar o The Grayzone é um partidário da direita opositora da Venezuela, que não faz nenhum esforço para dissimular seu desejo de atingir canais com os quais está politicamente em desacordo.

Em agosto de 2019, um editor que usava o apelido de MaoGo, que mais tarde mudou para ReyHahn, iniciou uma discussão com outros editores “sobre a confiabilidade do The Grayzone.”

Em seu perfil, MaoGo/ReyHahn afirma abertamente que é venezuelano, e em suas edições fica claro que o editor é um forte apoiador da direita opositora venezuelana e profundamente contrário ao movimento de esquerda chavista e ao governo do presidente Nicolás Maduro. 

Um golpe de vista nas edições do ReyHahn mostra que o usuário edita obsessivamente as páginas que têm alguma relação com a Venezuela, quase todo dia, por horas.

Dezenas de artigos relacionados à Venezuela editados pelo usuário ReyHahn em apenas dois dias

Se esse usuário é ou não recompensado por estas edições – que de acordo com as horas de trabalho requeridas por dia equivalem a um emprego, não apenas a um hobby – não é divulgado, porque a Wikipédia não possui um mecanismo para aplicar ações contra conflitos de interesse. Mas é claro que a campanha do ReyHahn contra o The Grayzone foi no mínimo motivada por seu apoio político à oposição venezuelana.

Ainda mais problemático, quando MaoGo/ReyHahn iniciou a denúncia, o usuário não citou um único exemplo de suposta informação não confiável. No lugar disso, ele citou a participação de Max Blumenthal, Ben Norton e Anya Parampil no Fórum de São Paulo, um encontro anual de latino-americanos de esquerda, bem como os comentários feitos por Ben Norton fora de suas reportagens.

Um outro usuário que se juntou ao partidário da oposição venezuelana para bloquear o The Grayzone, foi o Rosguill. Edições passadas do perfil desse usuário deixam claro que ele é identificado como socialista com um obsessivo desacordo com o anticomunismo. Em 2018, Rosguill listou publicamente seu envolvimento no WikiProject Socialism.

Este é mais um exemplo de como editores com um claro viés político estão censurando meios de comunicação porque acreditam que as reportagens atrapalham em suas ideologias sectárias. Isso é claramente uma forma de comportamento que viola o princípio fundamental que exige um ponto de vista neutro.

Rosguill declarou sem reservas que o The Grayzone é “menos que confiável”. Por quê? Como uma suposta evidência o editor politicamente motivado citou que uma reportagem do The Grayzone declarou que o governo dos EUA financiou o grupo de ativistas sérvio Otpor. De fato, o New York Times admitiu em 2000 que a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Fundação Nacional para a Democracia (NED) e o Instituto Republicano Internacional, todos eles depositaram milhões de dólares para apoiar a Otpor – um fato inegável que, ironicamente, é notado pelo próprio artigo sobre o Otpor na Wikipédia.

Entretanto, essa discussão de má-fé fez com que os editores nos censurassem.

Defensores de mudanças de regime dominam o debate para bloquear o The Grayzone

Em dezembro de 2019, outro fiel partidário da direita opositora venezuelana iniciou e moderou uma “enquete” oficial que levou o The Grayzone a ser bloqueado

Esse defensor da oposição venezuelana também havia liderado antes campanhas bem-sucedidas para bloquear as agências de notícias TeleSUR e Venezuelanalysis.

A postagem desse usuário deu o ponta pé inicial para uma discussão acalorada, com dezenas de comentários de quem é quem entre os defensores da oposição venezuelana e pró intervencionistas por parte de governos ocidentais. Eles exibiram um transparente viés político e atacaram o The Grayzone não por suas reportagens, mas antes por causa dos pontos de vista pessoais dos seus jornalistas.

Essa enquete foi supervisionada de perto pelo editor ZiaLater, que no passado revelou em sua página de usuário ser venezuelano. Esse editor também mantinha o nome de Zfigueroa, antes de deletar isso mais tarde.

ZiaLater é um dos mais ativos editores que policiam os conteúdos relacionados com a Venezuela na Wikipédia. Uma olhada nas contribuições do usuário mostra claramente que ele é um forte apoiador da oposição venezuelana. Ele edita com muita frequência, algumas vezes horas por dia. A vasta maioria dessas edições são em artigos concernentes à Venezuela, e quase sempre empurrando informações que tendem para uma linha favorável à oposição do país.

Em apenas um dia, em 22 de maio de 2020, por exemplo, ZiaLater fez mais de 30 edições, durante um período de várias horas. Quase todas foram em tópicos relacionados à Venezuela, incluindo o líder do golpe apoiado pelos EUA, Juan Guaidó, e a invasão falida ao país por parte da oposição, a Operação Gideon.

Edições feitas pelo aprtidário da oposição venezuelana ZiaLater em apenas dois dias

O viés de direita de ZiaLater contra o movimento de esquerda chavista é tão claro que o editor inclusive deixou um aviso em sua página de usuário: “Por favor, não me acuse de ser tendencioso! Isso apenas fará com que eu forneça mais fontes. Eu apenas edito informações que encontro nas fontes.”

Na realidade, ZiaLater não apenas iniciou o debate para o bloqueio do The Grayzone, como também  escreveu para outros editores com quem tem simpatia para encorajá-los a lhe ajudar com os procedimentos.

O resultado foi uma tempestade de ataques ad hominem e acusações de má-fé provindas de pessoas que advogam a favor de intervenções ocidentais.

A maior parte do debate consistiu numa crítica ao editor Max Blumenthal, seus pontos de vista pessoais e declarações, e seus trabalhos anteriores, e não sobre o jornalismo sério publicado no The Grayzone.

ZiaLater foi o que mais contribuiu para a discussão. E no lugar de prover evidências às supostas “informações falsas e fabricadas,” pelas quais o The Grayzone foi ostensivamente bloqueado, ZiaLater diz abertamente, “O principal problema que o Grayzone tem com sua política editorial são seus laços políticos.”

Esse apoiador da oposição venezuelana arguiu que o The Grayzone deveria ser bloqueado da Wikipédia porque seu editor, Max Blumenthal, apareceu em meios de comunicação russos como a RT e criticou a guerra para mudança de regime na Síria, bem como grupos tipo o Capacetes Brancos, que foram financiados com dezenas de milhares de dólares pelos EUA e vários outros governos da Europa.

ZiaLater também citou o site ucraniano StopFake, que é de um grupo anti-rússia financiado pelo Ministério de Ralações Exteriores do Reino Unido e pelo Ministério de Relações Exteriores da República Tcheca.

Fiando-se no StopFake, o editor alega que “a Rússia utiliza com frequência os editores do The Grayzone e o seu fundador Max Blumenthal para disseminar propaganda russa,” o que é falso e sem fundamento, uma vez que essa conexão com o The Grayzone não existe e nunca existiu.

Um editor que se opôs à campanha de bloqueio notou que as reportagens do The Grayzone têm sido citadas por meios de comunicação mainstream que são considerados confiáveis pela Wikipédia. O usuário apontou que um artigo do Glenn Greenwald para o The Intercept dava créditos a uma reportagem do Max Blumenthal que desmentia falsas acusações de que o governo venezuelano teria colocado fogo num comboio de “ajuda humanitária” fornecida pela administração Trump durante uma tentativa de golpe em fevereiro de 2019. O New York Times, que originalmente havia espalhado essas falsas alegações, mais tarde reconheceu que estas reportagens passadas estavam erradas, e que na verdade foi a direita opositora venezuelana que havia sido responsável pelo incêndio, confirmando aquilo que o The Grayzone havia inicialmente reportado. Mas ZiaLater minimizou a importância desse ponto e rapidamente mudou de tema.

Com um moderador tão descaradamente tendencioso, ficou claro que a enquete foi iniciada de má-fé.

Outro editor citou artigos em colunas que criticam o The Grayzone escritos por descontrolados ativistas pró-guerra e lobistas para mudanças de regime, alguns dos quais já ameaçaram os repórteres do The Grayzone pessoalmente. O usuário DreamLinker citou um artigo de opinião política do site da organização Socialistas Democráticos da América (DSA), escrito por um ativista anti-China; outra coluna no blogue a favor de mudanças de regime Pulse Media; e ainda a opinião de um ativista anti-Nicarágua Dan La Botz em uma revista trotskista da época da Guerra Fria, a New Politics.  

DreamLinker também insistiu que o The Grayzone deveria ser bloqueado por causa de uma crítica do notório ativista pró-guerra Muhammad Idrees Ahmad, publicada no Al Jazeera Opinion. Idress Ahmad, um acadêmico com uma insignificante experiência jornalística que faz abertamente lobby defendendo intervenções militares ocidentais, mandou pessoalmente ameaças por telefone ao Max Blumenthal para intimidá-lo contra a publicação de artigos investigativos sobre os Capacetes Brancos. 

Esses editores da Wikipédia não deram nenhum suposto exemplo de informação falsa espalhada pelo The Grayzone; no lugar disso, eles apelaram para as opiniões de ativistas pela mudança de regime, politicamente motivados, para bloquear e censurar o site por causa de suas reportagens de denúncia (muckraking).

Quem é quem dos editores pró-intervencionistas que participaram da campanha de bloqueio

A grande maioria dos editores que deram suas contribuições para a enquete oficial e que arguiram a favor do bloqueio mostraram claro viés político em suas edições.

Participando da campanha estava Jamez42, outro explícito defensor da oposição venezuelana. Jamez42 anuncia claramente em seu perfil que ele é venezuelano, e, mais uma vez, o usuário edita a Wikipédia horas por dia, todos os dias, sempre inserindo uma linha a favor de políticos antichavistas apoiados pelos EUA.

SandyGeorgia, uma usuária que também edita constantemente artigos relacionados à Venezuela, e que sempre coloca uma linha que favorece a oposição em suas edições, também se somou a enquete, ecoando as acusações dos outros editores politicamente motivados.

De modo similar, o vociferante editor pró-Israel BobfromBrockley apoiou entusiasticamente o bloqueio do The Grayzone. BobfromBrockley foi identificado como Ben Gidley, um acadêmico britânico que apoia abertamente a OTAN, e responsável por inserir ideologia liberal sionista, caluniando esquerdistas anti-imperialistas, incluindo vários apoiadores do ex-líder do Partido Trabalhista do Reino Unido Jeremy Corbyn, como antissemitas. 

Gidley produziu um relatório em 2015 para o “Inquérito Parlamentar sobre Antissemitismo” do Reino Unido, no qual descreve os ativistas que protestavam contra o massacre de Israel em Gaza, em 2014, como odiadores de judeus.

Sob o pseudônimo de BobfromBrockley, Gidley mantém um blog no qual ele avança com sua ideologia anarco-neoconservadora, atacando obsessivamente jornalistas de esquerda antiguerra e estudiosos como “Stalinistas” enquanto apoia agressivamente os esforços do ocidente para mudança de regime na China, Rússia, Síria, Líbia e além. BobfromBrockley defende inclusive o líder golpista venezuelano, apoiado pelos EUA, Juan Guaido, enquanto faz coro com a propaganda de direita que demoniza o presidente eleito Nicolás Maduro.

BobfromBrockley é especialmente ativo na Wikipédia. Ele já fez milhares de edições, e monitora o site obstinadamente, fazendo múltiplas mudanças quase que diariamente. A vasta maioria dessas edições se relaciona com artigos em canais de esquerda, e ele gasta um tempo significativo apenas caluniando jornalistas antiguerra como a Rania Khalek

Edições feitas pelo usuário BobFromBrockley, que empurra uma agressiva agenda política sectária

Na discussão sobre o bloqueio do The Grayzone, BobfromBrockley afirmou que há “diversos erros factuais” no site, mas ele não cita um único exemplo. Em vez disso, Ben Gidley insistiu que o site deveria ser bloqueado porque “sua agenda parece convergir 100% com a agenda da mídia estatal russa,” e “a maioria de seus contribuidores são também contribuidores regulares da mídia estatal russa.”

De fato, Gidley mesmo compartilhou demonstráveis informações falsas em suas acusações de má-fé. A repórter Anya Parampil não era apresentadora da RT America quando Gidley afirmou isso em dezembro de 2019. Ela deixou a rede aproximadamente um ano antes. The Grayzone é um site inteiramente independente que não trabalha com nenhum meio de comunicação estatal e não recebe fundos de nenhuma instituição governamental.

Usuário BobFromBrockley/Bob Gidley acusando o The Grayzone para tentar associá-lo à Rússia

No entanto, as acusações neo-macarthistas confirmam ainda mais que a campanha de bloqueio da Wikipédia teve pouco a ver com falsas acusações de reportagens imprecisas do The Grayzone, mas antes com a orientação política do site, que expõem os crimes e mentiras dos intervencionistas ocidentais. 

Enquanto esses editores afirmam ser concernente a “informações falsas ou fabricadas” – a razão oficial do bloqueio – na verdade, eles estavam bloqueando o site por ele dizer muitas verdades inconvenientes. 

Outro proeminente editor, Snooganssnoogans, do qual o notório viés político tem sido tema de numerosas reportagens na mídia mainstream, também ajudou com o bloqueio baseado em calúnias pouco usuais. Snooganssnoogans é vergonhosamente conhecido por editar a Wikipédia por várias horas por dia, virtualmente todo dia, sempre alinhando as edições a uma perspectiva centrista e neoliberal.

Na própria página de usuário do Snooganssnoogans, ele deixa seu viés político claro, acusando o popular Jimmy Dore Show como sendo um “programa de teoria da conspiração de extrema-esquerda.”

Outro editor que opera sob o nome de “Neutrality” também contribuiu para a campanha de bloqueio. Neutrality é o administrador da Wikipédia em inglês, e por isso tem privilégios especiais.

E uma olhada sobre as edições desse usuário mostra que ele é um ávido centrista que monitora de perto os artigos relacionados à política dos EUA. Ele promoveu fortemente a conspiração do Russiangate, postando edições extensivas que sugerem que o Kremlin se intrometeu nas eleições estadunidenses de 2016 a fim de que Donald Trump fosse eleito, enquanto monitorava de perto edições nos artigos sobre a RT e de políticos céticos como Tulsi Gabbard. “Neutrality” também mostrou uma fixação desproporcional em demonizar os governos da Venezuela e Rússia, escrevendo extensas partes do artigo da Wikipédia sobre “retrocesso democrático” para demonizar o presidente Maduro e o Vladimir Putin especificamente.

No perfil de administrador do Wikipédia, “Neutrality” tem duas citações. Uma do Thomas Jefferson, mas a outro é ironicamente da própria Wikipédia: “se uma regra te impede de melhorar ou manter a Wikipédia, ignore-a.”

Essa contraditória diretriz, “ignore todas as regras“, é realmente uma política oficial do site – expondo ainda mais os problemas estruturais da enciclopédia, que alega se opor às edições que advogam a favor de uma causa e a conflitos de interesse, mas tranquiliza os editores de que eles podem ignorar as diretrizes.

Os mesmos editores politicamente motivados bloquearam a TeleSUR e a Venezuelanalysis

Estes são alguns dos principais nomes de uma panelinha de editores com motivações políticas que conspiram juntos para censurar meios de comunicação alternativos que desafiam o intervencionismo ocidental.

Mas o The Grayzone não é único site de notícias independente que foi censurado por essa gangue de entusiastas por mudanças de regime.

Na verdade, ZiaLater, o editor partidário da oposição venezuelana que lançou mão de esforços bem-sucedidos de censura contra o The Grayzone, fez a mesma coisa há alguns meses contra um meio de comunicação que opera sob uma linha editoral de esquerda, pró-chavista. 

No dia 1 de fevereiro de 2019, ZiaLater iniciou uma enquete para bloquear oficialmente a TeleSUR, a rede de notícias de esquerda para integração latino-americana.

Assim como o The Grayzone, a TeleSur foi censurada depois de um debate, que estava cheio de evidentes usuários de direita com retórica enviesada, focado não nas reportagens em si, mas em vez disso no governo da Venezuela, ao qual os editores se referiam como um “regime” e uma “ditadura.”

De fato, o próprio moderador da enquete relutantemente admitiu seu viés político nos comentários. “Eu também queria pedir desculpas se essa entrada RfC não parece neutra”, usando um acrônimo para o processo de “pedido de comentário” da Wikipédia.

O editor ZiaLater, um forte apoiador da oposição venezuelana moderando a campanha para bloquear a TeleSUR

ZiaLater tentou classificar seu flagrante viés político como mera ignorância sobre as diretrizes da Wikipédia. Mas segue um longo padrão, de claro preconceito, que sempre aponta para a mesma direção: apoio à direita opositora venezuelana.

Iniciando uma enquete oficial, moderando ela, e dando o ponta pé inicial com comentários de como a TeleSUR é supostamente tão duvidosa, ZiaLater construiu cuidadosamente um esquema para bloquear a rede de notícias.

A enquete foi dominada por muitos dos mesmos editores politicamente tendenciosos que bloquearam o The Grayzone, incluindo outros firmes defensores da oposição venezuelana como o Jamez42 e a SandyGeorgia.

Alguns desses defensores anti-chavistas, como o ReyHahn e o Jamez42, até mesmo discutem abertamente sobre suas edições relacionadas à Venezuela nas páginas de discussão da Wikipédia.

O administrador que promove a teoria do Russiangate, o “Neutrality”, que ajudou a bloquear o The Grayzone, também participou na campanha para censurar a TeleSUR, como também o Rosguill, o esquerdista sectário de antes.

Apenas uma semana depois, em 11 de fevereiro, ZiaLater lançou outra enquete para bloquear o Venezualanalysis, um site independente no qual a maioria dos seus responsáveis não são venezuelanos, mas que fornece uma perpectiva pro-chavista para as notícias e questões políticas.

O editor ZiaLater, que advoga a favor da oposição venezuelana, supervisionou a enquete oficial para bloquear a Venezuelanalysis, bem como o The Grayzone e a TeleSUR

Previsivelmente, a discussão foi mais do mesmo, sobrecarregada de defensores da oposição venezuelana de direita usando a Wikipédia para empurrar suas linhas políticas.

Muitos dos mesmos editores pró-intervencionistas que bloquearam o The Grayzone e a TeleSUR entraram na campanha contra a Venezuelanalysis, incluindo o Jamez42, SandyGeorgia e o BobFromBrockley.

Venezuelanalysis foi, por fim, considerada “geralmente não confiável para relatórios factuais.”

A impressionante similaridade dessas três campanhas ilustra como essa estratégia de bloqueio funciona. Um minúsculo grupo de editores da Wikipédia, mas fortemente unido por uma causa comum, censuram agências de notícias que reportam fatos que contradizem suas ideologias. Utilizando qualquer falsidade, eles podem passar para trás as diretrizes do site.

Esses esquemas rasgam em pedaços os princípios manifestos que defendem um ponto de vista neutro e que se opõem às contas que atendem um único interesse e de propósito único.

A Wikipédia está corrompida em um nível superior. Foi purgada de qualquer senso de democracia interna, e uma gangue fanática de editores obsessivos, politicamente motivados, controlam seu conteúdo, efetivamente monopolizando o fácil acesso do mundo todo à informação.

Reveladoramente, a Wikipédia, e a Fundação Wikimedia que a gere, expressaram pouco interesse em resolver esse problema fundamental. Com sua comissão silenciosa, eles deram a aprovação para uma máquina de censura global que visa purificar a internet de qualquer reporte ou pontos de vista que vão contra a prevalecente perspectiva oficial de Washington. 

*Ben Norton é jornalista, escritor e produtor cinematográfico. Ele é o editor-assistente do The Grayzone, e produtor do podcast Moderate Rebels, que ele apresenta junto com o editor Max Blumenthal. Seu site é o BenNorton.com e seus twteets em @BenjaminNorton.

> traduzido por habib para o elsur.noblogs.org – entre em contato caso tenha encontrado algum erro na tradução.



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Fonte: Elsur.noblogs.org